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quarta-feira, janeiro 21, 2004
 
Teresa pede, eu obedeço:

Resposta De Crítico: “Gangs Of New York” e “O Regresso Do Rei” ousaram mais do que “Dogville” que, pelos seus sets e pela sua estrutura, estava destinado a ser adorado por um certo público. Também acho que, para um filme tão obviamente didáctico (o que não é um insulto), a sua tese é um bocadinho fraca – tem muito mais nível do que as merdas do Oliver Stone, sim, mas ainda acho que abusa das respostas emocionais e foge das questões que se poderiam colocar ao assunto principal do filme. Para além disso, como disse o John quando saímos do filme – “the canine theme was a bit overworked, wasn’t it? You see, THEY’RE DOGS! DOGS, DO YOU UNDERSTAND??”

“Gangs Of New York” para mim foi um dos filmes mais injustamente odiados do ano. Se nada mais, tem ao menos valor pelo seu interesse histórico – não só os gangs, mas também os efeitos que a Guerra Civil teve em Nova Iorque. Existem montes e montes de filmes sobre o que esta guerra provocou no Sul, mas pouquíssimos sobre os efeitos dela no Norte; só a cena dos imigrantes a saírem dos navios e a serem imediatamente recrutados para o exército já diz muito. Há também no filme uma certa descrição de como qualquer catástrofe sempre acontece não por causa da vontade de um só indivíduo, mas por causa de um conjunto de erros cometidos por uma série de pessoas que levam a situações gigantescas contra as quais já ninguém consegue lutar; uma visão muito realista e com muita relevância no panorama político do ano passado (a mesma visão é também descrita, de forma ainda melhor admito, num conto de Heinrich Von Kleist chamado ”Michael Kohlhaas”; aconselho a leitura.) E depois há aquelas cenas profundamente humanas, imensamente trágicas: os dois chefes de gangs a lutarem sem se aperceberem (ou apesar de se terem apercebido?) de que o seu confronto é agora irrelevante; a amargura da cena final.

Quanto ao ”Regresso Do Rei”, bem, se “embirras” com a franchise em geral presumo que os argumentos mais usados não te convencerão muito: a imensa beleza dos cenários; os incríveis efeitos especiais, usados em favor da história e não para distrair dela, dotados de uma perfeição estética da qual ”Matrix” e afins só podem sonhar; a atracção do épico, dos grandes gestos, da Honra da Nobreza e de todas essas coisas; o ardor com que Peter Jackson conseguiu adaptar um dos livros mais adorados de sempre de forma que tanto os fãs como o público em geral gostassem, uma tarefa que em teoria parece impossível. Presumo que nem mesmo a menção de Golum, uma das criações mais deliciosamente macabras de sempre, te possa ajudar a gostar mais do filme. Portanto só há mesmo um argumento que posso dar: a forma como a história d’”O Senhor Dos Anéis”, por muito épica que seja, é secretamente um elogio do pequeno, do campino, do pacífico, do humilde, e o facto de Jackson não se ter esquecido disso no filme. Ah, e para além disso: a amizade de Frodo e Sam, com direito a subtexto romântico e tudo (“não podes viver duas vidas, Sam” – HMMM HMMM!), e, por mais ridículo que pareça, a duração do filme (”O Senhor Dos Anéis” é o melhor argumento que se pode lançar na face de medíocres “críticos da sociedade moderna” que vêm com a treta do encurtamento do attention span nos dias de hoje.)

Correndo o risco de parecer foleiro, o que eleva ”American Pie” sobre ”Chicago” na minha lista é pura e simplesmente o facto de o primeiro filme ter coração, e o segundo não. Nada posso dizer contra ”Chicago” num nível técnico, mas o filme transpira tanta arrogância, tanta falta de humanidade, tanto estéticismo….enfim, não diz nada, é apenas belo por ser belo. É quase impossível simpatizar com qualquer das personagens principais, e no filme inteiro só existe uma cena que me tocou. ”American Pie” surpreendeu-me muito, não só por causa de algumas cenas terem um trabalho de camera realmente lindo e uma banda sonora muito menos comercial do que eu pensava, mas também por ter um certo nível de maturidade. As piadas nojentas que fazem a reputação dos filmes apareceram, é claro, mas muito menos do que eu estava à espera; na sua essência o filme é, muito simplesmente, uma história de amor, e como tal funciona – principalmente porque as personagens são credíveis, têm os seus tiques e as suas esquisitices, têm personalidade, enfim, são completamente o oposto do que aparece na maioria das romantic comedies. No fim do filme fiquei com pena de nunca mais ver esses caracteres; e isso vem de alguém que não viu os dois filmes anteriores e que foi ver este mais por obrigação do que outra coisa.

Resposta Pessoal: Tenho um fraquinho por épicos, adoro o Martin Scorcese, odeio o facto de o filme ter tido recensões tão negativas, pus o tão alto não só porque gostei mas também para chatear quem não gostou. ”O Regresso Do Rei” estava destinado a estar no meu top5 do ano mesmo antes de eu entrar no filme: adoro Tolkien, ”O Hobbit” foi o primeiro livro que li por mim mesmo, qualquer menção de elfos ou hobbits dá me vontade de dar pulos e gritar “iuuuupi!!!”, quando saí do primeiro filme fiquei frustrado por já ser crescido demais para sair do cinema a correr e a gritar “sim Frodo, salvaremos o Shire das forças do mal!!” Espadas! Orcs! Mordor! Se fosse o tipo de pessoa que se dá bem com generalizações e estereótipos diria que não entendes porque és mulher; mas como não sou, tenho que deduzir que não entendes porque és enfadonha. :-P

É me um pouco difícil levar ”Dogville” a sério; tem algo de “rapazinho de 14 anos que ouve demasiado Tool”.

O ”American Pie” tem: a Alysson Hannigan, o sorriso da Alysson Hannigan, a música “It’s Too Late To Stop Now” do Van Morrison, os olhos da Alysson Hannigan, o cabelo da Alysson Hannigan, o sorriso da Alysson Hannigan, e a Alysson Hannigan. O ”Chicago” só tem um monte de gente detestável e seria muito melhor se fosse só uma hora e meia de Richard Gere a chacinar o resto das personagens com uma serra eléctrica. Nem sequer tem boas canções, porque é que não fizeram um remake do ”Cabaret” ou de ”A Little Night Music”?