Filosofia & Bolachas



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sábado, setembro 20, 2003
 
Oh my! Popular has joined Sick & Tired Of Watching Shite TV in the ranks of "blogs linking to Filosofia & Bolachas even though it's in portuguese and we can't even read the blasted thing, but hey, it linked to us, so let's throw the dog a bone". I am most flattered, on both counts. It's almost enough to make one consider the idea of starting a new blog in english, or some similar nonsense.


 
Shock & Awe, Pt.2: Ao percorrer os arquivos do meu blog (sim, sim, já sei que sou um egomaníaco) encontrei um comentário que nunca tinha notado antes. Passo a reproduzí-lo:

"Dani3l | Email | WebSite |

bem...tu precisas de ir a londres pa sentir essa sensação?? isso sim é ser élitista.. yap.. pois é... em primeiro lugar.. a musica ke tu ouves.. bemmm sinceramente...e a tua atitude perante a musica... dá pa ver ke infelizmente tens uma mentalidade um bocado fechada... mas pronto eu entendo-te prefeitamente...embora os meus gostos sejam totalmente diferentes dos teus... mas sou um pokito mais eclético.. Nu-metal (principalmente deftones), metal(iron maiden), jazz (louis armstrong hááá pois é), hardcore, punk harcore... bem gosto de violencia e do barulho hehehe...mas acredita ke já senti o ke tu sentiste em londres... mas no nosso BOM PORTUGAL PIMBA HAHAHAHAHAHAHAHAHA"


Acho que fala por si. Também acho que vou passar a dormir com uma espingarda ao pé da cama.


 
Shock & Awe, Pt.1: Ao acender hoje a televisão, deparei-me com um conjunto de estranhas aberrações que se encontravam a dar pulinhos num palco enquanto despedaçavam o imortal "Dancing In The Streets" de Martha & The Vandellas. É bom saber que a RTP1, normalmente tão enfadonha, está agora a adoptar um tom absurdista, mas acho que se devem impor limites a coisas desse género. É que podem estar míudos a ver o programa.


quinta-feira, setembro 18, 2003
 
Um prazer diário, da Segunda à Sexta: ligar a Cartoon Network às 16:30 (17:30 para o pessoal do continente.) Já falei antes da série "Samurai Jack" (de facto, um dos primeiros posts do F&B foi sobre esta temática), e folgo em descobrir que os novos episódios não perderam uma pitada sequer da poesia, do humor e do espanto ao qual fomos submetidos na primeira série. Se tivesse que fornecer um só exemplo para demonstrar que a arte não está morta, acho que escolheria um episódio de "Samurai Jack".


 
Popular. Não tem nada a ver com o programa que costumava dar na SIC Radical. Tom Ewing (um dos meus críticos de música favoritos) inicia o projecto de recensear todos os singles que chegaram ao primeiro lugar da tabela britânica desde a sua criação em 1952 até hoje. Leitura obrigatória para quem sabe ler Inglês e tem interesse na História da música Pop.


quarta-feira, setembro 17, 2003
 
....e hoje alguém chegou ao "Filosofia & Bolachas à procura de "blogs sacanas".

Também gosto de ti, google. :-P


 


Já a capa de "Le Jeu" revela o tipo de disco que Armando Teixeira (ex-Da Weasel, entre outras coisas) quis fazer com este álbum: um exercício estilístico de música ligeira, easy listening, lounge music, penetrado pelo espírito do grande Serge Gainsbourg. Enfim, uma mistura do tipo de música que se ouve nos velhos filmes do James Bond com o tipo de música que se ouve nos velhos filmes da Emmanuele, uma atmosfera antiquada alcançada pelos actuais meios electrónicos.

É preciso notar que os Balla não foram os primeiros a terem esta ideia. De facto, esta ideia até chegou a estar na moda, há uns anitos atrás. "Le Jeu" encontra-se definitivamente sob a sombra de dois dos grandes "monstros" da música Pop dos anos '90: por um lado, o magnífico "Moon Safari" dos franceses Air, que iniciou uma verdadeira voga de grupos adeptos do easy listening e cujo sabor, electronicamente criado e muito mais amigável do que o do cruel Gainsbourg, é facilmente distinguivel no disco; pelo outro, temos a influência menos explicita mas mesmo assim importante de "Dummy" dos Portishead, palpável aqui nos momentos mais sinistros e na voz de Sylvie C., cuja voz quebrada e melancólica faz lembrar bastante a Beth Gibbons.

E os Balla nem sequer são os primeiros a seguirem estas referências - houve dezenas e dezenas de grupos menores no fim dos anos '90/início dos anos '00 que tentaram reproduzir o kitsch estiloso dos Air ou a assombração elegante dos Portishead. Uma moda que já passou, pelo que se poderá quase dizer que os Balla andam um bocadinho atrás dos tempos. Mas não é este o seu problema; a boa música sabe encantar mesmo quando não vem na altura certa.

Também não é o sexismo quase omnipresente (a mulher como objecto passivo a ser "dirigido" pelo homem) que fornece o maior problema de "Le Jeu"; afinal, o Armando Teixeira e a Sylvie C. parecem ser pessoas eruditas e inteligentes, e até existe uma certa graça em reviver os estereótipos de eras passadas desde que não se sucumba a eles - é brincar com o fogo, está visto, mas num país onde existem programas como muita da programação nocturna da SIC Radical há alvos mais importantes a atingir. Dou o beneficio da dúvida aos Balla.

O problema é muito simplesmente a falta de originalidade. Os retratos sonoros do Armando Teixeira são extremamente eficazes na medida em que conseguem satisfazer todos os requisitos necessários para um certo estilo de música; mas não adicionam nada ao estilo, não conseguem transmitir algo novo ou pessoal o suficiente para os elevar acima do rótulo do meramente competente. Um bocadinho de Funk em "Wild Life (Living A Sparkling)" e um bocadinho de Jazz em "Quero Ser O Teu Volkswagen" não são o suficiente para eliminar esta acusação: os Balla andam a bater em truques velhos, em vez de os modificarem de forma a criar algo de novo.

Dirão agora alguns que isto é inevitável: um tipo de música tão velho como a música ligeira estilo Gainsbourg simplesmente já não pode fornecer inovações, o seu tempo já passou e tudo que podemos esperar de um disco neste estilo é que forneça uma boa imitação do original. Mas isso é conversa da treta: existe uma razão porque as pessoas ainda compram discos de Rock, de Soul e de Country, em vez de estarem todos ligados ao Hip-Hop e às ultimas transmutações da música electrónica: não é por serem estúpidas, mas sim porque qualquer estilo tem a capacidade de fornecer inúmeras variações, nem todas radicais é certo mas quase todas elas interessantes, desde que se invista num cunho pessoal.

É só comparar o "Le Jeu" a qualquer álbum do Beck (artista cuja influência também surge no álbum, em "Melvin Surprise" por exemplo.) Também o Beck faz frequentemente exercícios estilísticos, recebendo acusações de que está simplesmente a roubar dos seus ídolos: mas embora que "Midnite Vultures" seja sem dúvida um álbum Funk, e que "Bottle Of Blues" seja uma magnífica canção Country, é impossível imaginar o Prince a compor o primeiro exemplo que citei ou o Willie Nelson a criar o segundo, porque de cada nota da música do Beck sai a sua personalidade: nas letras surrealistas, na voz melancólica / entediada, na predilecção pelos barulhos esquisitos e pelo caos. Um verdadeiro artista pode criar novos mundos com ferramentas velhas; e nem a tecnologia mais avançada pode ajudar muito quando quem a usa é um banana. Banana, o Teixeira de certeza que não é - mas também não provou com este álbum ser artista.

Como já referi, "Le Jeu" é um bom disco dentro das suas fronteiras - todos os ingredientes para um produto de qualidade no estilo Electro-Lounge estão lá: os instrumentos de sopro e de corda, os títulos divertido-pirosos ("Quero Ser O Teu Volkswagen"!), o ambiente acolhedor. A voz da Sylvie C. é frágil e leve, a do Armando Teixeira é relaxada e repleta de confiança em si próprio. Para os fãs fanáticos do estilo, "Le Jeu" é um disco a comprar; mas para aqueles entre nós que gostam de se aventurar para além de um só canto, ficamos com a sensação de que apesar de os Balla terem conseguido sem dúvida criar um disco daqueles, não estamos bem certos de que mais um disco daqueles era realmente necessário.


terça-feira, setembro 16, 2003
 
Encomendar produtos pela internet através de sites portugueses é sempre uma aventura. De momento, estou numa tentativa de construir uma boa colecção de DVDs; é claro que poderia simplesmente ir à Amazon UK e encomendar tudo que o meu coração deseja, mas o problema é que eu quero partilhar os meus achados com os meus amigos, e é por isso que tive de passar o meu precioso tempo a descobrir que nas traduções portuguesas títulos tão poéticos como "Mean Streets" ou "Dog Day Afternoon" foram mudados para "Cavaleiros Do Asfalto" e "Um Dia De Cão" (bem, ainda vá que não vá), para depois entender que os filmes de qualquer forma não se encontram disponíveis. Também com a música há diversão: no Som Livre, há o disco do NBC mas não o do D-Mars; na Vox Pop, é o contrário.

Mas nisto tudo, a melhor façanha de todas foi cometida pelo gajo que categoriza os livros no Som Livre. Sabiam que a Antologia Poética De Fernando Pessoa é um "romance policial"? Ou que os Sonetos Escolhidos do Luís De Camões são "poesia estrangeira"?