Filosofia & Bolachas



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domingo, agosto 24, 2003
 
Não é hábito meu embirrar com os "poderosos da bloglogsfera", com a "conspiração dos políticos", com as "comadres elitistas" ou lá o que mais, principalmente porque, sejamos honestos, a verdade é que estes infames (no pun intended) escrevem muito melhor do que a maioria dos seus críticos, e isso é o que realmente interessa. Mas desculpem, agora não consigo mesmo resistir....

A imagem mental mais hilariante do dia: o Abrupto sentado na poltrona, meio confuso, meio furioso, a falar com a televisão: "mas então, meus senhores...misturar Marcel Proust e Britney Spears! Meus senhores, enfim...isto não se faz! E a cultura, hem? E a cultura?"

(Ao visitar a página, parece que ele nem sequer mencionou a Britney, apenas as Spice Girls...caí em erro devido à interpretação da bomba inteligente". Não faz mal, até tem mais graça assim.)



Separados à nascença?



quinta-feira, agosto 21, 2003
 
Mais uma questão importante levantada pela ocupação do Iraque: o que fazer quando o povo não quer democracia? Numerosas as vezes em que Bush & companhia realçaram que apenas estão a ocupar o país para que se possam organizar estruturas democráticas suficientes para que o próprio povo possa decidir quem quer ter como líder; mas quando ocorreram grandes demonstrações a favor de partidos religiosos e totalitários, Bush disse que não aceitaria uma teocracia. Delicioso paradoxo! *

Não tenho certeza de que o povo iraquiano realmente quer ser governado por um regime não democrático (a população é demasiado variada para se saber se isto é o caso), mas se quer, o que fazer? Se a coligação ceder perante as demandas do povo, terá nas suas mãos um novo governo que a) não tem lá muitas afeições aos americanos e que b) tem o potencial de se mostrar tão opressivo como o velho regime de Saddam; se, no entanto, os E.U.A. recusarem essa decisão, citando os valores da democracia e da separação da igreja e do estado, estarão a obrigar o povo a aceitar a democracia, o que é uma contradição em termos. Será possível obrigar alguém à liberdade? E será possível "escolher" a ditadura? Qualquer que seja a decisão que a coligação tomar, será de certa forma anti-democrática - ou aceitam a ditadura em nome da democracia, ou usam meios ditatoriais para implementar a mesma (isto tudo, é claro, partindo do principio de que a coligação quer a democracia para o Iraque, e não apenas fornecer um governo fantoche.)

Os comunistas, lá no seu tempo, tinham uma solução para esses problemas: fases de transição, nas quais o povo seria educado para a democracia. O problema é que depois os regentes nunca decidiam que o povo já estava pronto, por razões óbvias.

* Delicioso ou horrendo, dependendo do estado de alma. "This world is a comedy to those who think and a tragedy to those who feel"- Horace Walpole.Eu normalmente estou na primeira categoria.


terça-feira, agosto 19, 2003
 
'Bora fazer algo novo: um top5 semanal (ideia adaptada do Top12 de Tom Ewing, no Freaky Trigger.) Cliquem nos vossos programas de partilha de ficheiros e façam o download destas cinco canções:

1-"Dreaming Of You", The Coral
2-"Get Busy", Sean Paul
3-"Frágil (1)", Jorge Palma
4-"A Summer Wasting", Belle & Sebastian
5-"The Homosexual", Momus

Sempre gostei de excentricidades, mas tenho que admitir que quando oiço um álbum inteiro do Momus, o gajo rapidamente se torna irritante. É preciso consumi-lo em doses pequenas, para conservar a imagem do indivíduo esperto espirituoso, em vez do espertalhão convencido. "The Homosexual" é um bom lugar para começar esse hábito - a música tipicamente Momus (Synth-Pop como nos '80, mas muito mais doce do que o Electroclash), a letra engraçada e penetrante: o personagem da canção é um heterosexual que, devido à sua maneira de ser, é considerado homosexual pelos seus colegas. No entanto, o indivíduo subverte a sua marginalização, fingindo-se gay para depois seduzir as mulheres dos que pensam que ele o é. A canção dá me muito gozo, porque eu também sou um heterosexual que devido aos seus gestos e à sua personalidade, é muitas vezes tomado por "bicha"...talvez deva tentar os seus métodos.

"A Summer Wasting" é uma das melhores faixas do álbum "The Boy With The Arab Strap", que segundo o que me dizem é um dos melhores álbuns dos Belle & Sebastian. Extremamente frágil (tem calma Jorge, já vamos chegar a ti), extremamente lindinho, extremamente indie. Se "Sherry Darling" do Bruce Springsteen é a faixa ideal para iniciar as férias de Verão, "A Summer Wasting" é a melhor banda sonora para as finalizar: "seven weeks of staying up aaaaaaaaaall night!"

"A Summer Wasting" guarda as boas memórias do Verão, mas também houve más, e para essas serve o "Frágil" do Jorge Palma, que vocês todos já conhecem mas que se pode sempre ouvir mais uma vez. Um bom companheiro para as neuroses nocturnas: "deposita na cama os meus restos mortais".

O problema com o Sean Paul é que eu não posso me livrar do pressentimento de que na Jamaica existem dezenas de outros vocalistas tão talentosos como ele, e que não há razão nenhuma para que ele seja o único a conseguir atingir o sucesso internacional - o gajo parece tão, não sei, normal. Mesmo assim, a cavalo dado não se olha o dente, e "Get Busy" é um dos melhores singles dançáveis do ano 2003.

Com as memórias da minha noite de glória num indie club londrino ainda bastante frescas, as canções que agora mais me fazem lembrar esse acontecimento são as que eu nem reconheci na altura: "Soldier Girl" dos Polyphonic Spree, por exemplo, ou precisamente "Dreaming Of You" dos The Coral. "Pitoresco" é a palavra que os críticos mais usaram para descrever este grupo quando ele apareceu lá em 2002, e de facto isto é parte da sua atracção...é divertida essa imagem mental de um bando de marinheiros liverpuddlianos adolescentes errando pelo mundo com um baú de discos do Tom Waits e do Captain Beefheart, e por isso a tuba em "Dreaming Of You" (o elemento mais anacrónico da canção, se bem que há quem diga que tocar Rock em 2003 é já por si anacrónico) é uma parte essencial da canção. Mas não a única: para mim, o segredo está na robusta e entusiástica voz de James Skelly, que dá um empurrão emocional, complementada lindamente pelos disciplinados coros do grupo e por um ritmo que, acreditem ou não, é dançável (eu sei, porque eu já dancei!)


 
Suponho que devo escrever algo sobre a minha estadia na Alemanha, mas há pouco para escrever. É um país que cada vez me diz menos, uma terra na qual eu conheço as regras mas onde o jogo já não me dá gozo (ao contrário de Portugal, onde as regras ainda estão por ser completamente descobertas e onde por isso ainda não sou - nem nunca, creio, serei - totalmente aceite, mas no qual o jogo, por mais frustrante que possa às vezes ser, ainda vale a pena, porque é o meu.) Que se desenganem os que ainda vêem os alemães como sendo um povo sóbrio, disciplinado, por vezes até antipático mas sempre racional...o estado da televisão alemã revela o quão disparatadas essas noções se tornaram...

Dá um novo sabor à palavra "Pimba". Portugal pode porventura pensar que é o único país contaminado por esse flagelo, mas engana-se redondamente - de facto, nem sequer é o mais afectado. É que ao menos em Portugal as coisas têm uma certa ordem- o Jorge Gabriel tem o seu programazito, a música Pimba tem as suas audiênciazitas, mas fora disso há um grande leque de programas sérios, por vezes diletantes é certo, por vezes também cegos e elitistas (Portugal sofre muito sob o bom gosto e o bom senso) mas sóbrios o suficiente para sabermos que ao menos há quem tente ter nível. Os E.U.A., muitas vezes considerados os piores representantes da cultura comercial, já são um caso completamente diferente - há maus programas, é certo ("Will & Grace" e "MTV Dismissed" vêm logo à cabeça), mas uma cultura popular que consegue criar programas como "Os Sopranos", "South Park", "Ficheiros Secretos" e "Buffy - A Caçadora De Vampiros" dificilmente poderá ser considerada "Pimba". Pimba à sério, vê-se é na televisão alemã, onde não parece haver um Tony Soprano para combater as legiões de Dismisseds e os Jorge Gabriéis em vez de terem um programa controlam toda a programação. Ligamos a televisão e imediatamente somos confrontados com uma catarata de merda, desde do primeiro programa infantil (tenho medo da geração que foi educada com "Pokémon"; de certeza não terão um ídolo tão honroso como o Miguel ngelo das tartarugas ninja) até à programação erótica nocturna (quem é que realmente consegue se excitar vendo uma gaja despindo-se, e nem completamente, por vinte minutos?) Figuras de "culto", que se tornaram famosas por terem mamas e não saberem falar e que toda a gente pensava iriam desaparecer dentro de um ano ou dois, continuam a passar pelos programas, tendo adquirido um estatuto privelegiado somente por estarem lá. Na publicidade, não param os irritantes anúncios para serviços SMS que lançam "flirt-lines" ou que permitem estragar boas músicas por meio de as transferir para o telemóvel. Os canais de música, uma catástrofe - não conheço outro país em que o Trance ainda goza de tanta popularidade.

Importante notar também o papel dos anglicismos - se em Portugal já há quem teme pela língua de Camões, a língua de Goethe, essa já morreu por completo. Não são os anglicismos em si que me irritam- adoro a língua inglesa, e tendo em consideração a situação mundial, acho tão natural o mundo falar inglês hoje como foi natural que falasse francês no século XIX - mas a forma como são usados, e quem os usa...eternos provincianos (mesmo se nasceram em meios urbanos) que acham que podem transformar merda em ouro dando-lhe um título em inglês...é aterrador o número de programas que tenta atrair audiências com a promessa de "fun", e mais aterrador ainda foi ver o Harald Schmidt (um dos cómicos mais populares e mais enfadonhos da televisão portuguesa) a apresentar uma maratona dos "Osbournes" na MTV e a ser descrito como um "late night talker". É sem dúvida um sintoma do problema maior - os alemães não querem corresponder ao seu estereótipo (o que é compreensível, visto que o seu estereótipo consiste principalmente em fascismo e salsichas), e por isso abandona a velha, séria língua mãe em favor de uma mutação grotesca do inglês.

Sei que estou a fazer considerações brutais, e que na verdade já não tenho a autoridade para falar dos problemas da Alemanha, visto que não vivo lá e que o que experienciei numa semana não poderá ser certamente mais do que um rabisco do que se está realmente a passar lá. Mas a verdade é que o que vi também não me dá vontade de regressar para aprofundar mais a questão, se bem que a comida continua a ser excelente, graças aos numerosos restaurantes orientais, italianos e portugueses (que servem comida que em Portugal ninguém come.)


segunda-feira, agosto 18, 2003
 
Bem bem, parece que os relatos da minha viagem foram deveras enfadonhos para vocês...então, onde é que estão os COMENTÁRIOS?? Não vêem que isto assim fica feio, tantos posts com secções de comentários completamente vazias? Olhem que na África existem crianças que fariam tudo por terem o luxo de comentar os posts dum blog! Vocês são é muito mimados, isso sim!

De qualquer forma, hoje não há muito a relatar - estou em casa. E enquanto esperam os mui pertinentes e mui espirituosos posts que de certeza dentro de em breve irei escrever, explorem os novos blogs na minha lista de links - todos eles são excelentes, mas o Cá E Lá merece uma nota especial por ser, ao que eu saiba, o segundo blog açoriano na 'net (o primeiro sou eu.) Visto que recomenda a leitura de Poe e que aborda temáticas como o sucesso do Sandro G (do qual também irei falar, um dia destes), posso dizer que me encontro em excelente companhia.