Filosofia & Bolachas



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domingo, julho 13, 2003
 
Postais Do Subconsciente é o meu novo blog. O seu propósito é relatar os meus sonhos, ou seja, o meu ser na sua forma menos presunçosa e menos auto-consciente. É claro que o consciente não fica de fora - é ele que relata aquilo que o subconsciente lhe ensina, e por vezes certamente o consciente irá também afirmar a sua identidade. Mas o objectivo é tolerar o menos possível estas interferências; no seu ideal, Postais Do Subconsciente seria a criação artística a partir do inconsciente, sem qualquer participação do consciente. Visto isto ser impossível, it's the next best thing.

Um projecto desses precisa de calma e isolação para se poder realizar; por isto, não haverá de forma alguma links para quem quer que seja (nem para o F&B), e, embora que haja uma secção de comentários (um artista que não ouve o que os outros dizem é um mau artista), não haverá nessa respostas da minha parte. Tenho também de avisar-vos que haverá um uso indiscriminado de português, inglês e alemão, pois são essas as línguas do meu ser, e neste blog seria contra-produtivo fixar-me numa só língua em nome da acessibilidade.

Não procuro justificar este blog - não tenho manifestos nem teorias a dar. A existência do "Postais Do Subconsciente" é uma experiência. O público e o tempo dirão da sua justiça.



sábado, julho 12, 2003
 
Sabem o que faz falta à bloglogsfera portuguesa? Um meta-blog, tipo a defunta Paragem De Autocarro. Mas não sou eu que o vou iniciar, porque os meus hábitos de leitura não são suficientemente aventurosos.


sexta-feira, julho 11, 2003
 
Sinto falta dos dias de chuva.


 
É sequer possível levar a sério pessoas cujas opiniões políticas são quase idênticas às dos seus pais? Eu tento fazê-lo, mas existe sempre aquela desconfiança de que todos os seus argumentos partem de um condicionamento, de que as suas "opiniões" são só consequências da educação que os pais lhe deram. Por um lado esta forma de pensar é muito estúpida - uma coisa não está errada só porque os nossos pais pensam que está certa, e é completamente possível que esses indivíduos tenham pensado muito sobre o assunto e apenas depois disto decidido que a ideologia dos seus pais também é aquela que eles consideram correcta; mas é preciso muita boa fé para acreditar que isto é o caso na maior parte das vezes, porque todos conhecemos o à vontade com os quais adoptamos ideias dos nossos pais, simplesmente porque nos deparamos com eles tão cedo na nossa infância que nunca nos passou pela cabeça questioná-los. As bases destes valores (coisas simples como "o dinheiro devia ser distribuído por todos" ou "o exército é necessário para defender-nos") ficam portanto parte do nosso ser muito antes de começarmos a compreender as complexidades do mundo, e por isso pessoas que noutros assuntos são críticos e inteligentes nunca põem-nas em questão, porque se sentem definidas por elas - é preciso um alto nível de autoconfiança e rancor perante o passado para se confrontar assim tão frontalmente com a própria identidade e mudar as suas próprias bases (devo dizer agora que também tenho problemas em levar à sério pessoas que se encontram no lado político completamente oposto do dos seus pais, porque aí é provável que tenham rebelado contra eles, e a rebelião contra os pais no século XXI parece-me uma coisa tão tacanha e tradicionalista...) Nem será correcto lançar as culpas aos pais - provavelmente tentaram educar os filhos sem lhes impingir quaisquer opiniões políticas, mas é claro que não conseguiram passar do tentar, afinal uma educação apolitica é completamente impensável.

O engraçado nisto tudo é que eu também partilho mais ou menos as opiniões políticas dos meus pais - sou um bocadinho mais pragmático talvez, menos idealista (mais conformista talvez), mas a minha orientação geral, essa herdei-a deles. E eu tento confrontar-me com a minha identidade, tento debater comigo mesmo as questões para ver se realmente acredito na ideologia com a qual cresci ou se as resoluções dos meus próprios paradoxos só se poderão dar com a transferência para o lado político que eu agora considero o meu oposto. Mas é que para além e independentemente das dimensões cognitivas, existe uma dimensão emocional que me enche com um verdadeiro nojo de contemplar sequer uma ideia dessas, e esse sentido de nojo vem é claro da minha criança interior que quer que as coisas sejam a preto e branco e que haja os bons e os maus. Eu (e tenho certeza de que muitos outros também) tento fazer com que esta criança interfira o menos possível nos meus juízos, mas temo que a maioria das pessoas nem sequer nota que ela existe. O que é certo é que ela pode ser muito perigosa (nada há de mais perigoso no mundo da política é a ingenuidade), e que ela é um produto directo daqueles que nos acompanharam nos primeiros anos da nossa vida, quer gostemos disso ou não (e quer eles gostem disso ou não!) Pergunto-me se alguma nos poderemos realmente libertar dessa criança, pergunto-me o quão regidos somos por ela, tenho medo de pensar quanto dano ela poderá causar dentro de cada um de nós.


quarta-feira, julho 09, 2003
 
Hoje chegaram duas pessoas ao meu blog...quer dizer, chegaram mais do que duas, o tráfego não está assim tão mau...mas são só estas duas que importam para este post. A primeira veio através de uma pesquisa google requisitando informações sobre "por que as produções americanas são tão caras". Devo admitir que não sou périto nestes assuntos, mas creio que a resposta correcta deverá ser: porque os americanos têm montes de massa e têm que gastá-la em algum lado.

A segunda também veio através da google, procurando informações sobre "FERNANDO PESSOA E A HOMOFOBIA" (all caps.) Sobre este assunto é que eu não sei mesmo nada. Gostaria de pensar que o Fernando Pessoa não foi especialmente homofóbico, considerando o contexto da sua época. Se isto não é o caso, não é preciso dizerem, que o meu dia assim como assim não precisa de mais descobertas negativas.


 
Se é verdade que os Ash são basicamente um grupo unidimensional cujo estilo Pop-Punk pode servir para bons singles mas não é o suficiente para preencher um álbum (e é isso que a crítica diz, e é isso que eu costumava acreditar, porque realmente os Ash parecem ser divertidos o suficiente para produzirem bons singles e não parecem ser focados o suficiente para produzirem álbuns coerentes), então porquê é que o único álbum deles que eu tenho ("Free All Angels") é tão dinâmico, enquanto que a sua colectânea de singles é tão entediante? Nem quero pensar em como será o disco de bónus com b-sides...


terça-feira, julho 08, 2003
 
deslizar no sonho acabou de escrever o único post sobre blogs que eu alguma vez li com o qual eu me posso realmente identificar.


 


(notice something, Clash fans?)

Elvis Presley - o homem mais mal compreendido da história do Rock?

Não é só a iconização de Elvis que o fez mais inacessivel - os Beatles, por exemplo, passaram por um processo semelhante, e mesmo assim ainda gozam de um bom estatuto perante muitos jovens, e continuarão a gozar deste mesmo estatuto por muitas mais décadas. Porquê? É que com os Beatles, para além das lendas e dos clichés, existe também uma obra compacta e consistente de treze álbuns, vinte e dois singles e um EP; é fácil portanto reconhecer o génio atrás dos lugares comuns. O Elvis, pelo contrário, tem uma obra gigantesca e sem qualquer sentido de controle de qualidade (isto devido não só aos contractos elaborados pelo Coronel Parker, que restringiam radicalmente a escolha das canções que Elvis poderia interpretar e que o obrigavam portanto a gravar muitas canções abaixo do seu nível, normalmente como banda sonora para os seus horrendos filmes, mas também devido ao esoicismo e à cobardia do próprio Elvis, que nunca fez nada para mudar essa situação), e se é verdade que ele pode dizer-se feliz de que hoje já ninguém se lembra de aberrações como "Yoga Is As Yoga Does", também é verdade que as canções pelas quais ele é hoje lembrado não são necessariamente os seus melhores esforços - irritante sobretudo é a insistência da RCA em focar nas baladas, uma estratégia que já fez com que o Elvis em muitas lojas de discos esteja na secção dos "crooners", ao pé do Sinatra e do Dean Martin (que também são magníficos, mas a outro nível e em outras dimensões), e não na secção "Rock/Pop" em que deveria por direito estar.

A melhor forma de compreender Elvis Presley é como um guardião da música americana na sua totalidade. Analisando o repertório de Presley, encontramos Blues e Country, Gospel e Soul, Rock e Pop. É mais do que normal ver hoje grupinhos mediocres dizer que "não gostam de gavetas" e que "não se conseguem inserir numa só categoria"; estão quase sempre errados e são normalmente extremamente fáceis de serem inseridos num certo estilo. Mas Elvis! Meu Deus, pensem só em como um rapaz, vivendo no Sul dos E.U.A. nos anos '50, com toda a segregação e todo o preconceito inerente a esse ambiente, consegue simplesmente ignorar todas essas fronteiras e tocar música negra e música branca como se não houvesse diferenças algumas entre as duas! Como?? Nem ele sabia; de facto, foi talvez esse factor que mais fez com que ele fosse abaixo - Elvis nunca sabia bem o que estava realmente fazendo, era um rapazinho de origens humildes lançado repentinamente para a fama, a glória, o ódio das instituições e uma imensa riqueza, e nunca soube realmente lidar com isso. Em vez disso, centrava a sua emoção na música - continua a ser incrível o modo como Elvis conseguia interiorizar uma canção, tornar-se nela. A sexualidade nas suas canções de Blues, a fragilidade das suas melhores baladas, o modo como saboreia cada silába de cada palavra de cada canção, tornando uma cantiga com uma letra tão parola como a "One Sided Love Affair" nalgo maior pelo simples controle que tem dela, pela mestria da sua voz.

É decerto verdade que muito do seu sucesso deveria ter ido para contemporâneos negros dele que fizeram tanto como ele para criar o Rock & Roll, mas hoje isto é uma questão académica, e gostar de Chuck Berry, Little Richard e Bo Diddley não exclui gostar também de Elvis. É verdade também que Presley é sobrestimado por muitos dos seus fãs; mas eu acho que é mais importante notar o quão subestimado ele é por muitas outras pessoas. Comprem o "Sunrising" (as suas gravações mais velhas, quando ele tocava r&b e country acompanhado apenas por um baixo e por uma viola) e o "From Elvis In Memphis" (o seu melhor álbum, gravado nos estúdios American e com um som Soul anos '60), que depois a gente fala.