Filosofia & Bolachas



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terça-feira, junho 17, 2003
 
Hoje vem a minha amiga americana Alison para ficar aqui por mais ou menos duas semanas, e como bom anfitrião que sou, vou estar bastante ocupado. Não esperem por isso muitos updates nos próximos tempos.


segunda-feira, junho 16, 2003
 
A primeira oportunidade de estabelecer a minha nova regra de Mais Pessoas, Menos Cultura já foi falhada. Ao comprar bandas desenhadas para me entreter enquanto esperava pela entrega das notas (a qual seria às 18:30; ainda eram 16:20) deparei-me com uma amiga. Disse olá, fiz um bocadinho de small talk e depois, com medo de que o grupo de amigos com os quais ela estava (tudo gente que eu também mais ou menos conheço) se sentiria incomodado pela minha companhia, ou que ela própria não tivesse contade de me aturar, despedi-me sem dar sequer o menor indício de que tinha tempo para matar. Oh well.

Enquanto isso, continuo a explorar o estranho mundo dos toques. Já aprendi a distinguir o toque "olá" do toque "telefona para mim que estou sem dinheiro", mas agora estou cheio de dúvidas sobre as regras da etiqueta da primeira categoria de toques que mencionei...

Os rapazes dão-se toques? Não me parece que o façam...é como os beijinhos (e convêm notar que, tal como esses, também os toques são um hábito latino; pelo menos nos E.U.A., ninguém os usa); as raparigas podem dá-los umas às outras, os rapazes apenas aos membros do sexo oposto. Resta saber qual o equivalente telemóvelifico do bom e forte aperto de mão- mensagens de imagens de gajas boas?

É permitido dar toques à uma rapariga que tenha namorado? Embora que a acção em si seja completamente inocente, hoje tive vontade de o fazer e hesitei, porque me parecia uma "falta de respeito" com o namorado. Parece-me que o acto, embora não sensual, tem algo de íntimo.

E finalmente, qual é o tempo desejado de espera para responder a um toque? Eu gosto de deixar passar uns cinco a dez minutos, para que surpreenda o outro da mesma forma agradável com a qual eu próprio fui surpreendido, e também para dar a impressão de que eu às vezes até tenho coisas para fazer (a falsa impressão, naturalmente.) Uma resposta imediata significa "ei tão fixe, deste-me um toque", ou significa "bah és só tu, vá lá cá tens o teu toque que é para não ter que te sofrer mais"?


 
Algo está a correr mal. Ligo a MTV e sinto nem ódio nem entusiasmo, mas simplesmente uma profunda indiferença. As minhas críticas têm-se tornado progressivamente mais clínicas, não necessáriamente más mas mediocres, escritas do ponto de vista de alguém que conhece bem as regras mas que não sente a mínima emoção por aquilo sobre que está a escrever. Não, não é culpa do panorama músical corrente- esse está tão bom (ou tão mau) como esteve quando comecei a escrever, continuam a existir os grandes mestres e os novos talentos e as batidas e os riffs e o lixo e o transcendente. É culpa minha, passei demasiados anos imerso nestas coisas e agora sinto-me gasto, entediado. O subjectivismo radical empurra-me ainda mais para a inércia- já não acredito em nada, sei que todas as minhas preferências musicais baseiam-se não em dogmas e regras bem concebidas mas num impulso emocional, completamente desprovido de moral, ideias ou integridade. Foi lindo o ano passado, no qual descobri que um single da Britney Spears pode ser tão vital e interessante como um álbum do Bob Dylan, mas agora esta verdade dá me raiva, faz-me chorar de saudades pelos belos ideias da Grande Arte que costumava ter. Já não há vontade de defender nada- para quê defender os meus gostos, se não estão ao serviço de algo maior do que os meus próprios caprichos? Nem há vontade de atacar a música que me irrita...enfim, outros hão de gostar dela, para quê estragá-lhes a festa?

Talvez seja a música em si que vai contra a minha natureza racional, ordenada, idealista. Talvez sejam as próprias notas, os sons, conceitos abstractos que vão não até à cabeça mas sim ao coração, que não se compatibilizam com a minha escrita nem com o meu ser. Talvez deveria tentar tomar maior interesse pelo cinema, ou pela literatura contemporânea. Ou talvez seja a crítica que é um medium demasiado limitador, demasiado parasítico e demasiado desprovido de ideias para as minhas ambições...mas as outras opções, a ficção e a imaginação, já as deixei atrás há muito tempo, porque não sou digno delas- talvez por não ter sofrido o suficiente. Talvez por não ter vivido o suficiente.

Seja qual for o esquema correcto, uma coisa é certa: se continuo assim, crítico de música é que não serei por muito mais tempo. A minha alma diz-me (ou parece-me querer dizer, sabemos lá nós o que nos dizem as nossas almas) que agora é tempo de viver, de largar os discos e os livros e sair para as ruas ver o que é real, e que só assim poderei crescer como escritor (crítico ou seja lá o que for.) Diz-me que tenho de acabar com essa cultura toda e misturar-me com as gentes, que são muito mais importantes. Vá que não vá, o telemóvel tem tocado mais do que costumava tocar- ainda há possibilidades de eu conseguir alcançar esse objectivo.

É claro que, se isto acontecer, é possível que passe a não escrever tanto aqui, ou mesmo a encerrar o blog por completo. Mas eu não contaria com isso.