Filosofia & Bolachas



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domingo, junho 08, 2003
 
Ontem alguém chegou a este blog procurando pela "biografia de Georg Buechner em português". Visto que a maioria das pessoas que chegam ao meu site através da google normalmente estão à procura do download de um filme de acção qualquer do qual falei mal ou querem saber coisas tão importantes como se o Vin Diesel tem namorada, isso tocou-me. Por isso, cá vem:

Carl Georg Buechner nasceu a 17 de Outobro de 1813 em Darmstad, sendo o mais jovem de cinco filhos. O pai, que começou a sua carrreira como cirurgião para os holandeses e para Napoleão, é nesta altura já um médico bastante respeitado; a mãe provêm de uma família burguesa.

Em 1825 alista-se num dos melhores colégios humanistas de Darmstad; a partir de 1828, começa a integrar-se num grupo de jovens alunos que cultivam a leitura de Shakespeare e as tradições da revolução francesa. Em 1831, inicia um curso de medicina em Strassbourg. Vive na casa do padre Johann Jacob Jaeglé, cuja filha ele secretamente toma como noiva. Ao mesmo tempo, familiariza-se não só com a literatura francesa corrente da época, mas também com as ideias dos revolucionários socialistas.

Depois de transferir o seu curso para Giessen em 1833, Buechner encontra no ano seguinte o reitor Friedrich Ludwig Weidig, opositor do regime vigente e publicador de um ilegal panfleto oposicional. Começa então a formar com amigos a secção de Giessen da sociedade dos direitos do homem e a publicar o seu próprio panfleto. Em Agosto, um dos seus amigos é preso e 139 exemplares do panfleto (o "Hessischen Landboten") são apreendidos. Buechner ainda consegue publicar um segundo volume, antes de voltar para Darmstad, onde reorganiza a secção local da sociedade dos direitos do homem, que tinha sido fundada no início do ano.

Em 1835, Buechner foge para Strassburgo para escapar à prisão; no mesmo ano, publica o seu primeiro drama ("A Morte De Danton"), traduz outros dramas de Victor Hugo, e começa a trabalhar numa tese sobre o sistema nervoso dos peixes.

É em 1836 que o escritor ganha mais prestigio, sendo condecorado em Zurique pelo seu trabalho ao nível da psicologia. Encontra-se também envolvido em outros projectos, tais como "Leonce & Lena", "Woyzeck" e um discurso sobre o pensamento filosófico alemão "desde Cartesius e Spinoza".

Georg Buechner morre em Fevreiro de 1837, vítima da tifóide. Em 1839 é editado "Lenz", o conto que será eventualmente considerado a sua obra prima.

Pronto, cá está- não digam que nunca vos dou nada. Todos estes dados foram retirados da minha edição de "Lenz" (Suhrkamp, 1998) uma obra que, no que diz respeito a clássicos alemães sobre jovens neuróticos, é dez mil vezes melhor do que o enfadonho "Werther" de Goethe.


sábado, junho 07, 2003
 
Ah, e mais uma razão para gostar das t.A.T.u.: a sua versão de "How Soon Is Now?" fez ficar mais fácil dar explicações a quem me pergunta quem são estes senhores que trago frequentemente na t-shirt:



 
Melhor canção de Verão de todos os tempos: "Sherry Darling", de Bruce Springsteen & The E Street Band.


sexta-feira, junho 06, 2003
 
Sabem do que estou farto? Estou farto da homofobia que tenho que aturar constantemente por parte daqueles que chamo "colegas" e até "amigos"; estou farto dela em todas as suas vertentes, desde a pseudo-tolerância de "ah, eu não tenho nada contra gays, desde que não se metam comigo" (já repararam como a maioria dos homens heterosexuais pensa sempre que todos os homosexuais andam atrás deles? Que presunçosos, meu Deus!) até aos extremismos de "ah, esses paneleiros, gostava de os pôr todos contra a parede e executá-los!"

Nem estou a exagerar. Acreditem, oiço regularmente merdas dessas, raios de puro ódio que atacam e estragam o que poderia ter sido um lindo dia. Está visto que aqui em S.Miguel a decência humana não é muito popular a muitos níveis, e não falta quem ache aceitável fazer piadas de pretos, mas nenhum outro grupo consegue inspirar tanta agressão, tanta fúria. Deprime-me, porque agressões dessas não vão só contra os homosexuais, vão contra a humanidade toda- a intolerância degrada todos, os agressores tanto como os oprimidos.

E estou farto também da minha própria cobardia, das muitas vezes em que nem sequer levanto a voz quando oiço essas barbaridades, das vezes em que assumo lastimáveis posições diplomáticas ("nem todos os homosexuais são promíscuos", "nem todos os homosexuais são enfeminados, e aqueles que o são são principalmente devido à factores de opressão social"), e das vezes em que tento na minha famosa posição de pseudo-intelectual dar lições de sociologia ou explicar factos tão básicos como que a homosexualidade e a pedofilia não são a mesma coisa. Num meio em que o ódio é tão generalizado, aprende-se a tolerá-lo. Além disso, se fosse demasiado notado nas minhas defesas, de certeza que também me veriam a mim como gay, porque não podem conceber a idea de que um indivíduo que não tem "essas tendências" estaria disposto a defender monstruosidades dessas. E acreditem que as minhas chances com as miúdas assim como assim já estão más o suficiente. Mas mesmo assim, sinto-me sujo, porque existe uma luta a travar, uma luta que também é minha, não porque tenho amigos homosexuais, não porque conheço (e adoro) Oscar Wilde, Stephin Merrit, Virgina Woolfe, David Bowie, Clyde McPhatter, James Baldwin, mas porque sou um ser humano, e é o meu dever fazer tudo que está no meu poder para que um dia se estabeleça um mínimo de decência humana entre os Homens; são essas lutas básicas nas quais tenho muito mais fé do que em quaisquers problemas políticos (não defendo a apatia política, mas compreendo-la), e é por isso que são situações como a corrente luta do Bloco De Esquerda para legalizar a adopção de filhos por parte de casais homosexuais que mostram ser os únicos momentos em que, dentro da imundice perversa que constitui os noticiarios, vejo um bocadinho de nobreza. "São demasiado liberais", disse há pouco um colega meu sobre o Bloco, colega este que se diz militante comunista (do PCP) e que, quando não anda a apoiar as acções da ETA ou do Fidel Castro, também tem os seus gozos contando anedotas de pretos e exprimindo o seu ódio pelos homosexuais (ocorre-me agora mesmo que eu também já dei o endereço deste blog à este mesmo colega; que se foda, se ele estiver a ler isto, ainda bem.) São pessoas de quem eu gosto que mostram comportamentos tão primitivos, tão vís, tão odiosos- eu eu não faço nada, ou o mesmo que nada.

No meio desta porra toda, é sempre um momento de suprema felicidade ver miúdas a cantarem músicas das t.A.T.u., a declararem-se fãs do grupo e a dizerem em público que nada têm contra lésbicas, como facto consumido, sem compromissos ou más linguas. Há quem diga que as t.A.T.u. são um veículo de marketing para uma sociedade machista, que apenas apelam aos homens e que a sua popularidade pouco muda o status quo de pessoas lésbicas no nosso mundo; há ainda quem diga que toda este projecto seria muito mais corajoso se, em vez de duas míudas, fossem dois rapazes a cantarem os seus hinos de amor. Tudo isto pode ser verdade, mas o simples facto é que se as t.A.T.u. fossem homens, o seu disco não teria vendido metade das unidades que vendeu, e teriam permanecido um fenónemo underground, com mais integridade é certo, mas também com muito menos chances de mudar mentalidades nos lugares onde elas precisam ser mudadas. Por amor de Deus, não me venham dizer que as t.A.T.u. não são importantes para a tal luta que eu mencionei acima- vocês nem calculam o quão estrondorosamente importantes elas realmente são.




quarta-feira, junho 04, 2003
 
Abaixo com a cultura! Vivam os cães danados! Principalmente por aquilo que dizem sobre o autor daquele lindíssimo livro sobre a pedofilia na casa pia que se tem vendido tão bem na feira do livro; ainda hoje defendi os mesmos pontos de vista perante a minha professora de português, mas parece que a minha ironia foi um bocadinho súbtil demais e ela ainda ficou a pensar que concordo com o autor desse mesmo livro...ai, ai.


 
Nestes tempos de incerteza, um poema patriótico:

Portugal.
Portugal, Portugal, Portugal, Portugal.

Portugal?
Portugal.
Portugal, Portugal, Portugal.

Portugal!


terça-feira, junho 03, 2003
 
Isto de gostar de pessoas simples, como é que se faz? E as pessoas simples, como é que evitam morrer de tédio, assim sem complexos nem spleens nem tiques?


segunda-feira, junho 02, 2003
 
Como vêem, acabei de ler o "Othello" do Shakespeare. Também tenho lido muito poemas do Fernando Pessoa online (consegui encontrar um site que tem aqueles que ele fez em Inglês- há lá um sobre o Alentejo que é simplesmente genial.)

Enfadonho, não?

Shakespeare! Pessoa! Quem quer lá ouvir falar desses gajos? Isto é literatura para quem não quer passar do lugar comum, para quem não tem personalidade. Eu devia estar é a ler dramaturgos venezuelanos ou poetas coreanos de quem nunca ninguém ouviu falar- isto sim, seria interessante. Em vez disso, cá vou percorrendo a colecção Ulisseia de escritores portugueses*, um a um, familiarizando-me com um cânone de Homens mortos por quem ninguém se interessa, com um ou dois Penguin Classics à mistura. Que medíocre.

É quase tão mau como preferir os Beatles aos The Fall....

Como crítico de música, já sei justificar as minhas preferências: na verdade, é muito mais difícil dizer algo de novo e interessante sobre o "Pet Sounds" dos Beach Boys ou o "Cantigas De Maio" do Zeca Afonso do que sobre um disco dos Boards Of Canada ou dos Mler Ife Dada, portanto estou confortável com a minha posição de guardadador das vacas sagradas- gosto de pensar que posso dar às pessoas novas maneiras de verem e experienciarem discos velhos de que já pensavam que estavam fartos; de qualuer forma, sempre é melhor um bom artigo sobre um álbum que está visto do que um elogio distânciado e inentusiástico da vânguarda. Alías, não é como se eu estivesse permanentemente agarrado aos velhos heróis do Rock- tento manter um equilibrio. Um dia Beatles, um dia The Streets, um dia "Highway 61 Revisited", outro dia Missy Elliot. Na literatura, é mais uma questão de não ter boas fontes sobre novos lançamentos (quase sempre quando um livro novo ganha muito successo, é porque é coisa extremamente pirosa ou bocejável), nem interesse suficiente para apurar estas fontes- sempre gostei do passado, bem sei que do ponto de vista moral é mais positivo ler autores novos, mas pronto, paciência, os génios literários do século XXI hão de encontrar o seu público mesmo sem o meu apoio.

Além disso, não é vergonha nenhuma ler Eça, ouvir Dylan e ver filmes do Woody Allen, desde que essas experiências realmente nos enriqueçam de qualquer forma, desde que tenhamos alguma conexão intelectual ou emocional com a obra de arte. Mas o problema é que, nos casos de livros e discos considerados "clássicos", há um monte de simplórios que os consume sem sequer procurar estas conexões, e ai o medo de ser tomado por um quando lá estou a ler o meu Shakespeare e a comprar os meus discos...

* Devo admitir que o meu fascínio pela colecção Ulisseia não se deve exclusivamente a interesses literários; a verdade é que esta série, compacta e linda, apela também aos meus instinctos de rapazinho de nove anos coleccionador de cromos. É que os livrinhos ficam tão bonitos ao pé uns dos outros na minha prateleira, todos com cores diferentes...na verdade, duvido que teria comprado os "Sermões Escolhidos" do Padre António Vieira se não fossem os meus instinctos de completista (não que eu tenha algo contra o homem, provávelmente até vou gostar de ler.) Além disso, o facto de, dos volumes que eu vi, preferirem a obra madura do Eça aos seus começos realistas, e de ignorarem por completo o Antero, faz me suspeitar que sejam revisionistas de direita, pelo que não lhes devia dar sequer um euro! Mas o que é que querem, os livros são tão coloridos...e ainda por cima, númerados, o que quer dizer que não só sei quais são os livros que devo comprar, mas também em que ordem devo comprá-los! Sim, sim, eu sei, sou realmente patétitco...