Filosofia & Bolachas



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domingo, maio 25, 2003
 
Embora que sempre me tenha divertido nas festas do Santo Cristo, nunca me tinha ocorrido algo tão fantástico como o que se sucedeu ontem- normalmente, as noites são passadas a tentar determinar se aquela rapariga que está a sorrir para mim acha que sou giro ou se está simplesmente bêbada (a opção dois costuma ser a correcta), mas até agora nunca me deram um tracto do fabuloso Jack Chick

Para quem o não conhece, Jack Chick é um desenhador que goza de estatuto quase lendário nos Estados Unidos. Os seus famosos "chick tracts"- pequenas histórias de BD com mensagens cristãs- são ítens de culto por entre todos aqueles que adoram o lado esquisito da América. Não é novidade que a propaganda religiosa pode ter um valor cómico involuntário, mas o fanático Chick leva isto a novas níveis. Nas suas BDs, os pecadores sempre ignoram completamente os mais elementares ensinamentos da religião Cristã, reagindo com uma surpresa enorme quando o missionário do serviço (normalmente alto, branco e de bigodes) lhes diz que Jesus morreu pelos seus pecados, e com um terror inconcebivel quando este lhes avisa de que, se não aceitarem Deus, acabarão no inferno (e só os retratos do inferno pela mão de Chick por si já são uma delícia- o seu estilo original e exagerado faz nessas instâncias lembrar uma mistura de Bosch e Robert Crumb.) É de notar também que Chick pertence a um dos ramos mais extremistas da sua religião, pelo que os seus ensinamentos não são limitados a enfadonhas estórias de redenção e amor pelo próximo- para além da constante homofobia, é de apreciar também a enorme intolerância por outras religiões (há tractos para converter os mouros muçulmanos, e também, acreditem ou não, os católicos!), e a sua crença inabalável de que tudo que poderia ser considerado remotamente divertido (Halloween, música Rock) deve ser expulso das vidas dos jovens. Só para dar uma pequena demonstração da grande obra de Jack T. Chick, aqui estão alguns tractos em lingua Inglesa explicando o que ele pensa da evolução, da bruxaria e de usar o nome de Deus em vão. (este último inclui a genial frase "hey man, are you putting down the homosexual lifestyle?")

Sendo portanto já um fã veterano das grandiosas maluquices do Chick, foi com um misto de honra, surpresa e uma enorme felicidade que recebi um dos seus famosos tractos, entregue pelas mãos de uma senhora idosa enquanto eu estava a passear alegremente pela avenida. É verdade que já sabia que existem traduções dessas obras-primas do surrealismo para português, mas nunca teria esperado obter a honra de poder segurar um deles nas minhas próprias mãos! Infelizmente, o tracto que recebi ("O Astro") é bastante manso julgando pelos estandartes Chickeanos; mesmo assim, há que lhe dar pontos pelo belo trabalho de tradução, que resultou em palavras como "shuta" e frases como "você tem cancer."


sexta-feira, maio 23, 2003
 
Decidi hà uns tempos parar de falar sériamente sobre política no Filosofia & Bolachas, porque a bloglogsfera portuguesa já trata em demasia deste assunto, e eu não sou dotado o suficiente para transmitir ideas ao nível de uma Coluna Infame, de um Blog De Esquerda ou de uma Farpa, mas permitam-me o desabafo: a posição do Bloco De Esquerda no caso das escutas é vergonhosa. Não me admira que o PS seja estúpido o suficiente para iniciar um escândalo a partir de testemunhos de "fontes credíveis", que no entanto também são anónimas e portanto não mercem mais consideração do que qualquer outro boato; não me espanta a previsivel participação do PCP nesta idiotice, não me espanta o coitado do Jorge Sampaio a apelar como sempre para a serenidade, com toda a autoridade de um impotente pai de familia numa sitcom Americana, e é escusado dizer que não me surpreendem as reacções do Cavaco Silva e do Durrão Barroso, que com os seus sorrisos profundamente viscosos não dizem nada, ou quase nada- afinal, para quê falar se a esquerda está a fazer um tão bom trabalho de auto-destruição? Mas que uma pessoa do nível do Franscisco Louçã compare essa palhaçada toda a um Watergate judicial, isso deixa-me realmente de rastos. O representante do partido que menos detesto em Portugal (seria deshonesto dar-lhe mais louvores do que estes) quer transformar uma pacata instância de bisbilhiotices politicas numa romântica luta á lá anos '60, e as pessoas ainda se admiram que com o passar de cada dia eu fique mais apolítico.


 
Uma memória:

Quando estava no oitavo ano escolar, eu e alguns colegas meus fomos convidados à um intercâmbio com alunos de uma escola de Massachustetts. A viagem no seu todo foi espectacular- encontrei nos americanos um pûblico entusiástico para as minhas sessões de sarcasmo, foi a primeira vez que fui aos Estados Unidos -não que tivesse, mesmo naquela tenra idade, aquele fascínio doentio pelos U.S.A. que tanta gente tem (se bem que, nos dias que correm, antes queria ter isso do que o ódio igualmente doentio que tanta gente apresenta), mas é sempre uma experiência nova-e para além disso foi a minha primeira viagem escolar.

Havia no entanto nisto tudo um pequeno detalhe irritante que me custou uma data de nervos durante a minha estadia- o rapaz em cuja casa eu fui ordenado a viver, um ser desastrado chamado Chris. As situações incríveis em que, por virtude da sua má sorte, do seu temperamento hiperactivo e das suas (é preciso dizê-lo) fracas capacidades mentais se metia este Chris continuam a ser lendárias por entre os meus amigos dessa viagem; ao mesmo tempo, o pobre rapaz também era a vítima perfeita para os meus mordazes ataques verbais, o que obviamente não era minimanente beneficial para uma possivel relação de amizade entre nós dois (se bem que me tornava bastante popular com os seus camaradas!) Em retrospectiva, talvez tenha sido demasiado cruel.

Mas não importa, não é disso que eu vim falar hoje. Vim falar antes de uma das tardes que passei com o Chris e o seu melhor amigo, cujo nome já esqueci (acham que tenho cara de enciclopédia ou quê?), mas cuja personalidade não diferia em muito da do seu companheiro, se bem que era "mais discreto", como diriam os açorianos.

Ora bem, estavamos então num apartamento em New Bedford (ou era Fall River? Já nem me lembro...), num dia quente e tendo já jogado vidéo jogos até fartar. A solução? Como sempre por entre rapazes dessa idade, resumia-se numa só palavra: "pornografia". Infelizmente, eu pela minha parte nunca gostei dessas coisas- sou mais do tipo de ver filmes eróticos do que pornografia à sério, e mesmo aí as minhas atenções são quase exclusivamente viradas para as cenas de lésbicas. É um padrão comportamental que se manifesta mais ou menos semelhante na maioria dos meus amigos mais próximos, e já deliberei muito sobre a razão dessas tendências- mas isto é outro post. Voltemos ao assunto: lá estava eu então, aborrecido a observar com desdém esses dois rapazinhos a casquinhar como raparigas do 6º ano enquanto viam entediantes cenas coitais. E eis que de repente, o Chris fornece-me um respingo de esperança: "também há uma cena de lésbicas, vamos ver essa?" pergunta ele em Inglês ao seu comparsa.

"No, man" responde este "lesbians are gay!"




quinta-feira, maio 22, 2003
 
Ah, e mais uma queixa acerca do livro: a fotografia na capa dá ao Oscar Wilde um ar de parolo, o que é bastante difícil de fazer, visto que ele obviamente foi....



PUNK AS FUCK!!!


 
Comprei hoje um livro de aforismos do Oscar Wilde. Em porções pequenas, é delicioso, mas quando se lê mais do que uma ou duas páginas de uma vez, todo aquele cinismo e toda aquela frivolidade acabam por ser tremendamente irritantes.

Mas atenção, a culpa não é só do próprio Wilde, porque o livro contêm montes de citações de personagens criadas pelo Oscar cujas opiniões de certeza não são permutáveis com as do autor. E a imagem final do escritor com que ficamos- a de um dandy degenerado, possuídor de uma imensa inteligência, mas que apenas a quis usar para destruir, nunca para construir- pode se encaixar bem no estereótipo, e talvez seja mesmo a forma como Wilde gostaria de ser lembrado, mas não é verdadeira. É só preciso ler atentamente "O Retrato de Dorian Gray" (quanto mais os seus contos infantis!) para se perceber que, debaixo de todo aquele veneno e lógica, Oscar Wilde foi também de certa forma um moralista. Lá porque não se gabou disso como outros o fizeram não quer dizer que devamos esquecer esse facto.


 
Bem, cá vamos outra vez tentar aquela treta dos comentários. Satisfeito, numb? :)


quarta-feira, maio 21, 2003
 
Nem sei o que todos têm contra a Fátima Felgueiras. Trata-se muito simplesmente de uma pessoa que notou a corrupção do sistema e por isso colocou-se em exílio político...tipo uma versão portuguesa século XXI do Trotzky. Ora pois (será que também vai levar picareta?)


segunda-feira, maio 19, 2003
 
(Este post é sobre a minha vida privada. Para os leitores que acham que os blogs deviam apenas servir como meio de expressão sobre eventos políticos e acontecimentos culturais, os quais é obvio têm mais direito a existir do que a vida pessoal alguma vez teve; e que afinal de certeza um meio de expressão grátis e fácil como o são os blogs só deveria ser usado para divulgação sócio-política do mais alto nível e nunca para fins triviais, pois isto seria heresia, convêm não olhar para o que se segue. Bem, na verdade, nenhuma pessoa com essas opiniões leria o Filosofia & Bolachas de qualquer modo, mas vá lá...)

A minha mãe voltou ontem da Alemanha- teve que ir para um dentista em Hamburgo; hoje de manhã caíram-lhe dois dentes, dos da frente. Disse lhe para não se preocupar, mas ela não é estúpida o suficiente para seguir o conselho, sabe bem que as aparências são importantes, especialmente para quem anda no emprego dela (empresária) e ainda por cima não fala um português assim muito perfeito. Ela teve que viajar para a Alemanha só para tratar dos dentes, e mesmo assim apanhou um incompetente. "Ha ha ha" dizem agora os patriotas "vocês estrangeiros acham-se melhores do que nós e depois dá nisto!" Estrategema esse que até resultaria, se não fosse o facto de eu conhecer muito bem vários dentistas Micaeleneses e a sua filosofia de "tira-se os dentes todos". A minha própria boca já teve que sofrer um re-design por parte de uma dentista deveras incompetente cujo tratamento de alguns dentes rachados meus resultou nos seres disformes e cheios de buracos que trago hoje debaixo das bochechas. O que me vale é que não atingiu nenhum dos do meio, de maneira que o meu sorriso de galã ficou intacto, mas mesmo assim...estamos completamente à mercé desses doutores, e é tão dificil encontrar um decente....e depois, por cima de tudo, não nos podemos esquecer que é tudo culpa nossa. Smarties, Coca-Cola, barras Mars e Snickers, chocolate negro, de leite e branco...ah, doces pecados. A vida não é justa, e eu exigo uma indemnização!