Filosofia & Bolachas



Abaixo com a cultura! Viva o Daniel!


Mandem-Me Mail, Sacanas!
ou então, falem comigo no AOLIM: DivineComedian42 Arquivos
(onde guardo os meus velhos posts)

Livros recentemente lidos:
"Fraeulein Else", Arthur Schnitzler
"The Complete Works Of Oscar Wilde" (em passo lento, em alternância com outras leituras)
"Sermões Escolhidos", Padre António Vieira
"Poesia Lírica", Luís De Camões
"Teatro De Gil Vincente"

Blogs (em língua Portugesa)
A Buzina Do Meu Carro É Ridícula
bisturi
Nocturno '76
bomba inteligente
Diário De Bordo-Inépcia
Filhos de Viriato
O Blog Da Papoila
deslizar no sonho
respirar o mesmo ar
doendes & duentes
sushi com colera
Cá & Lá
Contre Le Sexisme
Levante
Barnabé
Ginger Ale
Blog De Esquerda II

Blogs (em língua Iglesa)
If Then Else
Mental Fog Box
Hipster Detritus
Freezing To Death In The Nuclear Bunker
I Held Her In My Arms
radio free narnia
NYLPM
Sick & Tired Of Watching Shite

Publicações abençoadas com a minha escrita:
Hip-Hop Nation
A Puta Da Subjectividade
CultureDose

Links:
Fórum PTWeblogs
ILX
Seanbaby
X-Entertainment
I HATE MUSIC
Your Favourite Band Sucks
Robert Christgau
Inépcia This page is powered by Blogger. Isn't yours?

domingo, abril 20, 2003
 
É triste a frieza com que Gangs Of New York, o novo filme de Martin Scorcese, foi recebido. Demonstra que aprendemos a odiar o épico, a temer a ambição. Gangs Of New York é exageradamente ambicioso, enche-se de temas complexos e, apesar da longa duração do filme, não consegue abordá-los todos de forma condigna, mas porra- a experiência à qual o filme nos submete continua a ser impressionante, épica, e por muitas vezes devastadora. No fundo, o que mais magoa é o contraste entre a atmosfera histórica (que imediatamente se transforma em épica e nobre, porque é isso que associamos com a História) e o ambiente imundo da criminalidade no qual o enredo se desenvolve.

No inicio, pensei que o filme falhava principalmente por causa da falta de uma personagem com a qual o espectador possa simpatizar- de facto, o herói de Leonardo DiCaprio comporta-se tanto ou mais pérfidamente do que o vilão Daniel Day Lewis, que ao menos tem qualquer coisa como um código de honra. Mas quando a luta de gangs cede (algo abruptamente, o que realmente é uma das falhas do filme) à revolta em massa nas ruas de N.Y., a falta de um herói significa também a falta de um vilão. Afinal, quem são os "maus"? A multidão enfurecida pela participação numa guerra com a qual nada querem ter a ver? O exército comandado a defender a cidade de uma corja selvagem que destroí tudo que vê e comete linchamentos de crianças negras? Leonardo DiCaprio ou Daniel Day Lewis, gastando os seus ultimos folêgos numa luta irrelevante, simplesmente porque essa é a única vida que conhecem? Uma série de erros leva à anarquia; lá na distância os analistas poderão racionalmente indicar os culpados (o governo dos E.U.A. que manda-os para a guerra, o governo corrupto de New York que deixa milhares a viverem na mais profunda miséria), mas nas estradas manchadas de sangue, não se sabe para onde é que se deve virar. Se o populismo que se começa a sentir aquando da rebelião do povo contra o serviço militar obrigatório não desaparece quando este começa a assaltar as casas de familias burgesas que, apesar de, se pensarmos nas coisas de um modo socialista, terem em parte culpa, não têm a mínima idea da razão porque são atacadas, de certeza que se desvanece quando estas multidões começam a linchar indivídous negros por não quererem andar na guerra por eles. E se sentimos por uns momentos um certo alívio devido à chegada do exército, este cedo desaparece quando começa a chancina de dezenas e dezenas dos manifestantes.

Gangs Of New York merece ser louvado também num plano histórico, dando a conhecer aos grandes públicos aspectos que não são frequentemente focados (o que é que acontecia no tempo da Guerra Civil nos territórios dos E.U.A. não directamente afectados?) O filme choca mostrando o quão velho- e quão absurdo- é o ódio pelos estrangeiros na América, ao mesmo tempo que exemplifica as variadissimas identidades e orgulhos nacionais, raciais e regionais que irão eventualmente compor o famoso melting pot da cultura Americana, uma sopa que não deixa de ser imensamente fascinante mesmo quando sabemos que o ingrediente principal foi sangue.


sábado, abril 19, 2003
 
"Dy-Na-My-Tee", Ms.Dynamite

Mesmo sem a vocalista esta canção já seria sexy- toda lenta, toda sedutora, um bocadinho pedrada até. Então quando a Ms.Dynamite entra, é de se morrer de suspiros. Todo o albúm ”A Little Deeper” mostra uma pessoa corajosa, inteligente, orgulhosa no bom sentido, cheia de dignidade. A narrativa da canção, na qual a protagonista relata a vida dificil que levou sem nunca parecer convencida, faz a Ms.Dynamite parecer uma espécie de super-heroína, nobre e bondosa, bela (não sexy ou gira, mas bela), com uma atitude que faz creêr imediatamente que ela não tolera a miníma falta de respeito. Mas essa coragem nunca se transforma em arrogância (quanto mais, durante toda a canção a Ms.Dynamite faz uma auto-crítica que aos nossos olhos parece até exagerada), nem quer dizer que ela não goste de se divertir: o ritmo, o flow da canção, e a forma como ela se envolve no mesmo, mostra que esta é uma heroína que, depois de salvar o mundo, ainda tem tempo para resgatar o seu namorado resmungão de uma existência em torre de marfim e ir sair com as amigas. Uma Deusa.


 
5 CANÇÕES QUE ME FAZEM APAIXONAR-ME PELA PESSOA QUE AS CANTA, PT.1

Num campo tão dominado por homens como é o da música Pop- e principalmente o da escrita sobre a mesma- existe uma perspectiva que poucas vezes é realçada, por virtude de ser normalmente associada com o sexo feminino- as paixonetas, as crushes como diriam os Ingleses que desenvolvemos por certas/os artistas. Pouco se fala disto nos magazines de música, e entre os fãs “sérios” da música este assunto parece quase indigno de ser mencionado; de facto, é uma das acusações mais levantadas contra as fãs de boysbands, por exemplo- “tu só gostas dos Backstreet Boys porque queres casar com o Nick!” e coisas do género. Pessoas que se apaixonam por estrelas Pop são rapariguinhas estúpidas sem sentido de realidade que se importam mais com a aparência das pessoas do que com aquilo que elas dizem.

Como sempre, as coisas não são assim tão fáceis. Na realidade, nunca se pode separar inteiramente um objecto de arte do seu contexto social: por mais que o tentemos negar, sempre queremos ídolos, imagens de pessoas dez mil vezes mais fascinantes do que nós. ”Blonde On Blonde” continuaria a ser um grande disco se Bob Dylan não tivesse todo aquele mito atrás de si, e “Break On Through (To The Other Side)” continuaria a ser uma canção alucinante se nada soubessemos da vida de Jim Morrison, mas a verdade é que ambas seriam muito menos interessantes. Em tempos recentes, a relação entre o mito, a imagem de uma estrela e a sua arte tem ficado cada vez mais confusa- ninguém que não conhece minunciosamente a vida de Marshall Mathers poderia sequer entender metade das letras de ”The Eminem Show”, por exemplo. Mas no fim, isto tudo não é nada de novo- é só preciso ver as fotografias de um jovem Eça De Queirós para saber que os artistas sempre exerceram um fascinio por parte do público, e que desde sempre tiveram plena consciência disto e brincaram com as possibilidades daí inerentes. Aqueles que gostam da música só pela música são fãs casuais que só possuem uns doze discos; qualquer pessoa que realmente adora a música Pop (e com “Pop” digo toda a música popular actual, não só Britney Spears e companhia) adora também os mitos e as histórias que estão por detrás das pessoas que as cantam. As rapariguinhas que adoram Backstreet Boys bem sabem que nunca se irão casar com Nick Carter; apenas descobriram uma forma de jogar com a relação músico/fã.

Mas porquê deixar essa diversão exclusivamente nas mãos de raparigas pré-adolescentes? De certeza que todos nós fãs de música já ouvimos uma canção que nos tenha feito pensar que gostariamos de estar com a pessoa que a escreveu? Afinal, conexões emocionais não deviam ser motivo de vergonha- de facto, são o objectivo de toda a arte! A pouca escrita que já li referente a estes temas parte quase exclusivamente de críticos do sexo feminino, as quais por virtude da educação que obtiveram estão automaticamente mais abertas a uma abordagem mais emocional, menos sistemática da música. Mas que raio, os homens também têm paixóes estúpidas! O orgulho masculino que parece querer negar qualquer conexão sentimental com a música que ouve- e a consequente falta de escritoras, visto que as fãs femininas se sentem alienadas de uma imprensa de música que parece querer transformar todo o colorido mundo Pop num assunto sério e cinzento- faz com que há poucos artigos que tratam das paixões que o autor (ou a autora) teve ou tem por um certo artista. O que é uma pena, porque afinal isto é apenas mais uma perspectiva, mais um novo utensílo para podermos aumentar a nossa apreciação da música.

Daí o meu novo projecto. Não começou com o raciocinio que tracei acima. De facto, começou até de um modo estéreotipicamente masculino- com uma lista. “As cinco canções que me fazem apaixonar-me pela pessoa que as canta”. Fi-lá durante uma maçadora aula de história, e só muito tempo depois é que me apercebi do potencial que possui. Por isso, ao longo dos próximos dias, vou escrever sobre cinco canções que me fazem morrer de suspiros pelas pessoas que as cantam- o mais honestamente possivel, evitando o mais que poder quaisquers complexos de masculinidade. Considerando o pouco que existe escito na crítica músical sobre este assunto, posso dizer que este projecto tem um tom quase experimental.

Duas explicações antes de começarmos:

1- As paixões que desenvolvo por certas estrelas da música Pop têm mais a ver com certas canções do que com as estrelas em si. Embora que todas as artistas das quais vou falar são mulheres atractivas e inteligentes, nem posso dizer que me sinto especialmente atraído fisicamente por todas elas- apaixono-me mais pelos ideias femininos que elas conseguem retratar em determinadas canções. Muitas vezes, estas canções ganham vida própria e fazem-me sonhar de namoradas imaginárias que pouco ou nada têm a ver com a artista que as interpreta.

2- Isto não é uma tentativa miserável de me fazer parecer mais “em contacto com a sensibilidade feminina” ou qualquer coisa do género; como tal, estaria condenada ao falhanço, deixem que vos diga. Portanto, se notarem por vezes nestes ensaios um tom um bocadinho auto-depreciativo ou até amargo, tenham em boa conta que isto se deve exclusivamente ao lado mais negativista do meu estilo literário, e não a qualquer tentativa de ganhar simpatia ou pena da parte do(a) leitor(a). No fundo, pretendo com este projecto aquilo que toda a crítica pretende- mostrar ao leitor novas formas de apreciar, de experienciar, de saborear uma obra de arte.


sexta-feira, abril 18, 2003
 
Quando O Programa Da Maria estreou pela primeira vez, estava eu ainda a recuperar de um tempo de isolação quase completa da cultura do meu país- durante os anos 2000 e 2001, tinha entrado numa nova escola e estava mais ou menos sem amigos. Não lia autores Portugeses, não ouvia música Portugesa, não tinha TV Cabo mas tinha parabólica, e por isso só via canais Alemães e Britânicos; mal falava com pessoas Portugesas, todo o meu contacto era com os meus amigos Americanos na 'net. Esta dark age do meu contacto com o país que, não sendo o meu (não nasci aqui e, por mais que se tente negar, isso é essencial), é aquele pelo qual sinto mais..."afeição" não será talvez o termo mais correcto, mas é o país no qual estou mais envolvido, como eu ia dizendo, esta era foi realmente bizarra e perigosa, e foi apenas por causa do magnífico ano escolar que tive em 2001/2002 (montes de amigos, lots of love) que consegui sair desta deveras pertubante torre de marfim que tinha construido; ainda hoje estou a recuperar desses estranhos anos de solidão, re-inserindo-me na cultura popular do dia.

Tudo isto para dizer que até hoje nunca tinha visto um episódio sequer do "Programa Da Maria". E para dizer a verdade, quando liguei a televisão não estava à espera de grande coisa, apesar de saber que era o programa de uma protegé do Herman José que, apesar das más figuras que tem feito nos últimos anos, costumava ser o único cómico Português que eu conseguia aturar. Surpresa agradável- a primeira das novas séries da SIC Radical que se mostra digna do seu predecessor (o igualmente hilariante, e igualmente inconsistente, "Home Movies".) Inovadora (será esta a primeira série que lida de forma coerente com as atitudes das várias étnias que compõem o nosso próprio melting pot?), simpática, admiravelmente renunciando as breijices e mediocricidades comuns nos programas de humor Portugueses, esta série é tão boa que até fico com pena de ter sido cancelada há muito tempo atrás. Até mesmo o papel de taxista machão desempenahdo pela Maria (como já o desempenahava nos tempos do Herman '99, quando este já estava a começar a sua longa descida de qualidade) não é menos ordinário ou exagerado que o transvestismo de uns Monty Python ou de uns Kids In The Hall- é apenas menos comum, e por isso levamos mais tempo a habituar-nos, mas vale bem a pena.


quarta-feira, abril 16, 2003
 
A temperatura continua um tanto fria (frieza esta que, como sempre, é realçada pelo clima húmido da Caloura), e de vez em quanto surge uma rajada de vento, por isso não se pode dizer que hoje esteja um dia "bom". Mas vá lá, de vez em quando o Sol aparece para nos acariciar com os seus raios, e para além disso a minha constituição Germânica permite que consiga aguentar um friozinho insignificante sem me queixar. Por isso, fui passear.

A caminho do porto vi um grupo de três pessoas- um rapaz e duas raparigas, deviam de ter para aí uns vinte e tal, provavelmente continentais. Estavam todos a rir histéricamente e a falar de modo bastante animado; prestei boa atenção para ver se apanhava uma piada ou duas, mas não, não entendi uma palavra sequer. Foi então que me apercebi: eles não estavam a falar lingua nenhuma, estavam apenas a dizer disparates, "speaking in tongues" como se diz na lingua Inglesa. Respeitinho- eu pessoalmente só consigo atingir esses níveis de maluquice Kerouaciana às tantas da noite.

A passar pelo bar (fechado, como sempre), avistei um casal- tinham a mesma idade e aparência dos outros, provávelmente pertenciam ao grupo. Estavam docemente namoriscando, o que me levou um sorriso à boca (depois do qual me afastei rapidamente da cena, não venham vocês estimados leitores pensar que eu sou um voyeur!) O fixe foi eles terem a idade ideal- jovens o suficiente para eu poder sentir esta idea absurda de cumplicidade que todos os jovens, por mais que o tentem evitar, sentem por todos os congêneres, mas velhos o suficiente para não me levarem à cabeça sentimentos negativos por não ter eu o que eles têm.







segunda-feira, abril 14, 2003
 
Diga se o que se disser sobre os produtos nacionais da SIC Radical (Cabaret Da Coxa- não tenho nada contra falar sobre sexo nem contra dizer palavrões, mas quando isso é literalmente tudo que está disponível, mudo de canal; já Nútícias, isso é algo verdadeiramente maléfico), mas (esquecendo alguns erros, como Howard Stern) uma das coisas das quais o canal até há pouco se podia gabar sem problemas era de ter um elenco de séries estrangeiras de altíssima qualidade: South Park, Médicos E Estágiarios, Home Movies, Daily Show, A Vida É Injusta, Buffy e Bush Amigo combinaram para fazer um agrupamento deveras impressionante. No entanto, este agrupamento tem-se desfeito, e a "nova" SIC Radical começa mal, muito mal.

Não que eu estivesse à espera de algo de grande qualidade quando decidi ver o primeiro episódio de Os Oitentas; o programa cuja existéncia levou à sua criação (That 70's Show) é bastante divertido, é certo, mas todos sabemos que os spin-offs são sempre uma má idea. Mas mesmo assim, nada me poderia ter preparado para o nível de idiotice a que este programa desce.

Enquanto que o That 70's Show vence por ter um elenco de excelentes personagens, um soberbo sentido de timing e uma verdadeira afeição pela era que pretende conjurar, Os Oitentas tem como personagens um conjunto de esterótipos mal-definidos, uma série de piadas mais que vistas e uma vontade agressiva de inserir símbolos da década dos '80 na série à força (Dynasty, o slogan publicitário "Where's The Beef?", os clips da Pat Benatar, a música dos Talking Heads, as constantes menções de Ronald Reagan.) É só ver o personagem principal, que num momento goza com outra personagem devido à aparéncia Punk dessa, e noutro toca discos da banda extremista Punk Black Flag.

As piadas são secas, tanto que, nos primeiros minutos do episódio, eu pensava que o riso da "audiência" (pois, pois...) era suposto ser uma paródia do usual laughing-track das séries familiares, só que este apenas aparecia quando alguém dizia algo que não é engraçado. Piadinhas sobre a idiotice dos livros de auto-ajuda, sobre a estupidez das louras e sobre ex-hippies que dormiram com o Jim Morrison. Bocejo. Ah, sim, e óbviamente há o obrigatório personagem cómico Asiático, que existe sob o pretexto de estar a incarnar o tipo "yuppie" dos anos '80 (o que ele não faz.)

Mesmo quando o programa mostra potencial, esquala-o. Note-se o momento em que o personagem principal confronta a suposta Punk, realçando que o Punk já morreu há anos e que ele já ia à concertos dos Sex Pistols quando ela ainda era fã dos Bay City Rollers. O personagem sai da loja de discos em que ambos trabalham, deixando a pobre Punk sozinha na escuridão. Ansiosos, esperamos o que ela vai dizer- óbviamente, terá que ser algo sobre como o estilo de cabelo de um dos Bay City Rollers era fixe, ou talvez até uma linha de uma das canções deles, de modo a fazer esta furiosa guerreira urbana parecer ao mesmo tempo cómica e simpática. Mas o que é que ela diz? "I DID like The Bay City Rollers!" Well, duh! Isto já sabiamos nós.

Mas nem mesmo os criadores de Os Oitenta têm a mínima fé na sua criação- é por isto que adicionam uma personagem bisexual (feminina, óbviamente.) Já que a história não vale de nada, vamos ao menos conseguir as audiências masculinas mostrando gajas a beijar. Desprezivel.*

Tudo acaba com uma cena do personagem principal e da sua irmã a cantar "Close To You" dos Carpenters, canção essa que teve sucesso nos anos '70 e foi redescoberta por alguns nos anos '90; em outras palavras, uma canção da qual nenhum adolescente dos anos '80 saberia a letra. Não faz sentido. Nada aqui faz sentido. Os Oitenta serve para alimentar a sede daqueles entre nós que gostam de gritar palavrões ao aparelho televisivo; para o resto do pessoal, é completamente inútil. E perdemos South Park por causa DISTO?? Para citar o grande Eric Cartman: "screw you guys, I'm going home".




* (O que não quer dizer que não funcione, é claro. Pela minha parte, lesbianófilo me confesso, e se houver mais beijos entre miúdas, provavelmente vou continuar a assistir. Faz o que eu te digo, não faças o que eu faço e etc.)



 
Claramente, é mais frustrante não conseguir entrar numa boa conversa com alguém que se respeita e admira do que com uma pessoa pela qual não temos interesse. Quando tenho que falar com pessoas que não me entusiasmam intelectualmente (e quando digo "intelectualmente" é muito importante realçar que isto não é snobbismo ou algo do género, nem tem a ver com "cultura"- a pessoa com quem falo não tem que saber quem foram Proudhon, E.M. Forster ou Chris Bell, o que me importa é que haja uma certa curiosidade pelo mundo, bem como- e talvez isto seja ainda mais importante- um espirito crítico), é fácil- apenas digo que sim cada vez que ele ou ela pára de falar e retiro-me para o meu universo interior.

Mas oh, a agonia de se estar com um companheiro de quem se sabe que está na mesma onda, onde é teoricamente inevitável que surga uma boa conversa, mas nada acontece! E o que talvez é ainda pior: quando se está com alguém cujas palavras e cujos pensamentos nos fascinam e nos tocam, que está claramente perdido na paixão pelas ideas, mas por mais que queiramos não podemos encontrar em nós qualquer coisa que contribua para a conversa. Ficamos nós sentindo-nos estúpidos, e fica o outro com a impressão de que ele ou ela é na verdade uma pessoa maçadora, ou que talvez nem estámos na mesma onda, quando isto pura e simplesmente não é verdade.