Filosofia & Bolachas



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domingo, abril 13, 2003
 
O meu estado emocional actual:

"Não Quero Esquecer-Te"
Dos Magnetic Fields/Escrito por Stephin Merrit
(Traduzido por Daniel S. Reifferscheid)

Não quero esquecer-te

Poderia tomar um remédio para dormir
E dormir quando quisesse
E não ter de passar pelo que passo
Talvez deveria tomar Prozac
E sorrir a noite toda com alguém novo
Uma miúda não muito esperta, mas meiga e doce
Que tentaria afastar-te dos meus pensamentos
Eu poderia acabar com esta agonia
E fá-lo-ia, se quisesse
Mas não quero esquecer-te

Porque não quero esquecer o amor

Poderia prestar ouvidos ao meu terapeuta
Fazer de conta que não existes
E não ter que sonhar com o que eu sonho
Poderia prestar ouvidos aos meus amigos
E sair à noite, e fazer de conta que isso é suficiente
Ou então poderia fazer carreira com a minha depressão
Poderia vestir-me de negro e ler Camus
Fumar cigarros de cravinho e beber Vermonte
Fazer de conta que tenho 17 anos, isso seria baril
Mas eu não quero esquecer-te







sábado, abril 12, 2003
 
A Mafalda Veiga é realmente a definição de simpatia. Presença em palco simpática, banda simpática, melodias simpáticas com letras simpáticas que referem montes de luas, noites, mares, ventos e outras coisas que as pessoas simpáticas consideram profundas e simbólicas. Para o resto de nós, ela guarda uns "na na na na nas" irresistiveis, porque ela é tambêm simpáticamente inteligente o suficiente para saber que nem todos vamos com letras como as suas. Não estou a ser conscendente- tenho respeito pelo que ela faz, e pelo à vontade com que ela fá-lo.

No entanto, existem qualidades (originalidade, conflicto, complexidade, humor) que eu valorizo mais do que a simpatia, e por isso já no inicio da quinta canção do set que Mafalda Veiga tocou hoje nas Portas Da Cidade de Ponta Delgada não conseguia conter os meus bocejos. Não é uma crítica contra ela- a Mafalda apenas faz o que se espera dela, e fá-lo bem; o problema é meu. Talvez seja antipático. O que importa é que as pessoas simpáticas gostam de música desta, sim, até acham-lá profunda e transcedental e tudo o mais, e as pessoas simpáticas divetiram-se hoje. Bom para eles, bem o merecem. Ah, e pelo que vi do público, tambêm é boa música para se andar na marmelada.


sexta-feira, abril 11, 2003
 
Recentemente o meu blog recebeu visitas de dois brasileiros que no encontraram atravês da google. Um estava à procura de "dança Twist", o outro de "bolachas".

Os brasileiros é que sabem fazer festa!


quinta-feira, abril 10, 2003
 
Estranho. Talvez seja por ser estrangeiro, e por isso não ter familiares mais velhos que tenham estado lá, ou talvez seja por não ter prestado atenção suficiente às aulas de História, mas não me lembro de ter visto alguma vez fotografias de tanques Americanos a passarem pelo Rossio, ou de um soldado dos E.U.A. a atar uma bandeira Americana aos olhos de uma estátua do Salazar.


terça-feira, abril 08, 2003
 
Insultos Ingleses Que Deviam Ser Mais Usados: Uma Mini-Lista
1) "surrender-monkey"
2) "assclown"
3) "cockgoblin"


segunda-feira, abril 07, 2003
 
Vencido da vida aos dezoito, poeta ultra-decadêntista do mais alto nível (do mais alto nível de todos, visto que não escrevo poesia.) É um mundo estranho que produz espécimes como eu.

Estou rodeado de diletantes. Não importa para onde me vire, tudo que oiço são frases-feitas e teorias, convicções e ideas recicladas por pessoas que nem sequer sabem o que essas significam. A interminável palrada sobre a guerra no Iraque, que me faz ficar com vontade de defender Bush&Blair apenas para poder ter certeza de que não estou do mesmo lado dessas cabeças-ocas que andam aí a gritar os mesmos lugares comuns dos E.U.A. apenas quererem petróleo e de nunca ser possivel atingir a paz pela guerra, é apenas a ponta do icebergue. É tudo uniforme, é tudo da mesma opinião, é tudo inútil, medíocre e maçador. Não me estou aqui referindo a pessoas em concreto- é mais uma nuvem escura que tapa todo o ambiente em que me movimento e toma a liberdade de prevenir que alguma vez me encontre numa discussão estimulante.

Quanto a mim, não me considero diletante, pelo menos não nesse sentido: posso dizer que quase sempre sei do que estou a falar, e que quase sempre as minhas opiniões vêm dos meus próprios pensamentos e não de uma doutrina qualquer mal-digerida. Mas o que é que me ajuda esse conhecimento todo, quando não há nem o entusiasmo nem a força creativa para o aplicar?

Não acredito na política: sigo os eventes correntes, formo as minhas opiniões, apoio o meu partido, mas não tenho grandes ilusões de que isso adianta para alguma coisa- e isto não vem daquela velha lengalenga de que "aqueles no poder são todos iguais", talvez o pior dos lugares-comuns com os quais me deparo diáriamente. Não, é antes um conhecimento da minha própria ignorância no que toca ao assunto (vejo o telejornal e por vezes leio tambêm o Público ou o El Mundo; isto é mais do que a maioria faz, mas na verdade não serve de nada para conhecer as complicadissimas condições que estão por detrás de mesmo o mais trivial assunto político), e a certeza de que, quanto mais eu me aprofundar, mais confuso vou ficar. O ser humano encontra-se constantemente em mudança- a falta de conflicto interior indica tambêm uma falta de pensamento. Mas os erros na arte e mesmo na vida pessoal podem ser emendados; nem posso imaginar o terror que deve sentir alguêm que de repente descobre que toda a sua ideologia política foi um erro- a responsabilidade que as convicções políticas trazem é tanta que a única maneira que vejo de ter realmente certeza de que estou procedendo da melhor maneira era dedicar toda a minha vida ao estudo minucioso de todas as ocorrências políticas, e francamente, acho que este caminho levaria-me ao suicídio- por detrás de todo esse cinismo, sou uma pessoa demasiada sensível para aguentar com frieza e racionalidade os absurdos que regem o mundo. Por isso, vá lá, informo-me, formo as minhas opiniões e, quando é necessário, defendo-as, mas aquela majestosa força revolucionária, aquela vontade de mudar o mundo e aquela certeza de que estou do lado dos bons, já não a sinto há anos, e duvido que algum dia regresse (a não ser que voltemos para a ditadura- tenho uma amiga que gostava que isso acontecesse, devo admitir que tambêm não desgosto completamente da idea, seria bestial ser lutador nobre pela liberdade em vez de púndito ambiguo da actualidade.)

É certo que existem ainda certos oficios que continuam a ser admiráveis- medicina, filantropia profissional- mas para esses não tenho nem o temperamento nem a habilidade/conhecimento. Quanto à arte, falta-me o talento. E não me venham com aquela do "podes fazer tudo o que queres se te esforçares o suficiente", isto são tretas. Ou melhor, são verdades quando são ditas aqueles que têm talento, mas não o sabem; eu simplesmente não tenho, e tenho a plena consciência disso. Sei escrever, mas isso já é tudo- não tenho imaginação, não tenho originalidade, não tenho estilo. Nunca poderei escrever um grande livro; nunca serei um criador. Tudo que posso fazer com os meus dotes é continuar nas minhas recensões de música, nessas minhas actividades de parasita artistico. Enfim, a vida continua.

(Não me falem do amor. Não se atrevam a falar-me do amor.)

Ao caminho para casa, ví na minha aldeia dois rapazes a olharem para a montra de uma videoteca, falando dos filmes que já viram. Quem me dera voltar a esse tempo, em que um estúpido filme de acção, um joguinho na Mega Drive e um pacote de batatas fritas era a definição do paraíso.