Filosofia & Bolachas



Abaixo com a cultura! Viva o Daniel!


Mandem-Me Mail, Sacanas!
ou então, falem comigo no AOLIM: DivineComedian42 Arquivos
(onde guardo os meus velhos posts)

Livros recentemente lidos:
"Fraeulein Else", Arthur Schnitzler
"The Complete Works Of Oscar Wilde" (em passo lento, em alternância com outras leituras)
"Sermões Escolhidos", Padre António Vieira
"Poesia Lírica", Luís De Camões
"Teatro De Gil Vincente"

Blogs (em língua Portugesa)
A Buzina Do Meu Carro É Ridícula
bisturi
Nocturno '76
bomba inteligente
Diário De Bordo-Inépcia
Filhos de Viriato
O Blog Da Papoila
deslizar no sonho
respirar o mesmo ar
doendes & duentes
sushi com colera
Cá & Lá
Contre Le Sexisme
Levante
Barnabé
Ginger Ale
Blog De Esquerda II

Blogs (em língua Iglesa)
If Then Else
Mental Fog Box
Hipster Detritus
Freezing To Death In The Nuclear Bunker
I Held Her In My Arms
radio free narnia
NYLPM
Sick & Tired Of Watching Shite

Publicações abençoadas com a minha escrita:
Hip-Hop Nation
A Puta Da Subjectividade
CultureDose

Links:
Fórum PTWeblogs
ILX
Seanbaby
X-Entertainment
I HATE MUSIC
Your Favourite Band Sucks
Robert Christgau
Inépcia This page is powered by Blogger. Isn't yours?

domingo, abril 06, 2003
 
É um percurso árduo, cheio de pequenos erros e momentos onde ameaça cair num desastre, mas quando tudo está dito, O Demolidor consegue ser um filme consistente e acessivel e ao mesmo tempo faz jus à grande personagem de banda desenhada que o inspirou.

E vou ser honesto- a fidelidade à banda desenhada é o que mais me interessou ao entrar no filme, visto que tenho um amor muito maior à essa arte, onde a imaginação individual pode realmente correr livre, do que aos filmes, que estão sempre constrangidos pelas falhas e tiques dos numerosos seres humanos que estão envolvidos no processo da sua criação. Assim, os momentos em que o filme tenta transformar o Demolidor num Batman da Marvel (aquela fixação na vingança, aquele disfarce escuro, tão distante do vivo uniforme encarnado do personagem de BD) são mais irritantes para mim do que o seriam para um espectador que nada sabe sobre o comic; mas o triunfo que sinto quando vejo que tanto os argumentistas como o realizador entenderam quais são os factores que tornam Matt Murdock realmente único é tambêm maior do que o de um ignorante da BD. Todos esses factores são de uma forma ou outra retratados em O Demolidor; alguns de passagem (o paradoxo de um advogado que no seu tempo livre combate o crime pela sua própria conta; o conflicto de um homem que quer acreditar na justiça, mas a vê corrompida todos os dias); alguns de forma mais detalhada (a tragédia omnipresente no personagem; provávelmente não existe em toda a história da Marvel Comics herói mais azarento do que o Demolidor, da era Frank Miller para cá), e alguns de forma magnifica e exuberante (os fascinantes poderes do herói- cego desde que deu um encontrão num barril carregando substâncias tóxicas, os seus outros sentidos são hiper afiados e possuí tambêm uma espécie de radar- tudo isto é retratado de forma linda no filme.)

No entanto, o choque entre esta fidelidade ao material de origem e a necessidade de fazer um filme mainstream, fácil de entender, não é digerido de forma tão pacífica como o foi em, digamos, o recente Spider Man. Vítimas principais desse conflicto: o elenco, que se afasta das personagens que deve representar, tanto por vontade própria como devido a caprichos do argumento e erros por parte do vestuário. Vê-se bem que Ben Affleck não tem a mínima consciencia do seu personagem, e que se estivesse sob um argumento e realizador menos severos, transformava o nobre Matt Murdock num playboy inútil à Bruce Wayne e o Demolidor num Batman tipo a série dos anos '60- na mesma onda vai o Michael Clarcke Duncan, cuja insistência em mostrar uma arrogância extrovertida não condiz com a a atitude severa do Kingpin. Joe Pantoliano como Ben Ulrich parece mais o Spider Jerusalem de Transmetropolitan; Colin Farrell desempenha bem o papel de Bullseye mas tem um look patético. Os pontos altos são sem dúvida Jennifer Garner, a qual (tendo já experiência em desempenhar o papel de mulher forte na série Alias) leva toda a profundindade, todo o rancor e todo a nobreza que a persongem de Electra (Grega, como todas as grandes tragédias) merece, e de forma mais subtil Jon Favreau, que consegue fazer o papel de Froggy sem parecer irritante (tarefa mais dificil do que alguns possam imaginar.)

O Demolidor é ao mesmo tempo um passo para a frente dos filmes da Marvel e uma tentativa de consolidação. Por um lado, vê-se já algumas instâncias de recycling: as cenas de amor na chuva, o monólogo final, tudo elementos de Spider Man. Ao mesmo tempo, o filme tem um tom muito mais sério e sórdido (apropariado ao herói, verdadeiramente), com um nível de violência muito mais extremo.

Recomendo O Demolidor. para os meus compatriotas geeks, há o atractivo de ver uma adaptação bem concebida de uma BD frequentemente fantástica; o resto do pessoal poderá não ver neste filme mais do que apenas mais um estúpido filme de super-heróis, mas diria que se tiverem uma mentalidade aberta esta poderá ser uma boa introdução aos atractivos do estilo, e (nem é preciso dizer) tem dez mil vezes mais nível do que as bastardizações do Batman para o grande ecrã cometidas por Burton e Schumacher.





sábado, abril 05, 2003
 
O triunfo do politicamente correcto transformou o nosso mundo num campo de minas em que ninguêm pode dizer nada sem ser acusado de ser sexista/racista/seja lá o que for. De facto, esta tentativa de negar toda e qualquer agressividade entre os Homens tem até algo de semi-fascista e, no fim de contas, é na verdade apenas um entrave às relações saudáveis entre as raças, os sexos e as pessoas de diferentes religiões/nacionalidades/orientações sexuais. É por isso que precisamos de individuos sem papas na língua, de pessoas corajosas o suficiente para representar o politicamente incorrecto, mesmo que seja só para provocar as feminazis (sim, porque o movimento feminista passou de expressão genuína da tentativa de igualdade para algo deveras sinistro, e extremamente sexista) e a PC Police. Sim, é so atravês do flirt com o sexismo que conseguiremos destruír as palavras de ódio, assimiliar os maus comportamentos até esses ficarem inofensivos e, enfim, criar uma sociedade menos neurótica e mais saudável sem recorrer ao combate contra a liberdade de expressão practicado pelos politicamente correctos. Precisamos de homens desses, e a falta de bom estilo literário ou creatividade artistica é perdoavel- há que trabalhar pela causa com os meios disponiveis.

Isto tudo, é claro, num universo alternativo. No nosso, termos como "feminazi" e "PC Police" continuam a ser idióticos, qualquer pessoa que se gaba de ser politicamente incorrecta está apenas à procura de uma desculpa para se comportar de forma humanamente desprezivel (e, na maioria das vezes, artisticamente banal), e sites como este continuam a ser maçadores, irritantes, e uma perda de tempo para todos que os visitam. Still, boys need their toys.


quarta-feira, abril 02, 2003
 
Ninguêm me linka. Ninguêm me manda mail. Parafraseando Xzibit, esse grande pensador dos nossos tempos: "y'all cats are just too blind to listen".


terça-feira, abril 01, 2003
 
Ignorem os palermas que dizem que a única razão para a existência das t.A.t.U. é dar tesão a pedófilos. Não nego que o marketing do grupo vai nessa direcção, mas vá lá, estámos no século 21! Quem quer ver adolescentes lésbicas só precisa de ir à 'net; nenhum avôzinho com erecção vai comprar o albúm "200 km/h In The Wrong Lane" só para ver as fotografias (bastante inocentes) na capa. Ou em outras palavras: o sexo pode servir para promover as t.A.t.U., mas não vende os seus albúns. E o grupo sabe disso.

E verdadeiramente, este disco é estranho, único, excitante. Estruturas que divagam e desaparecem, Pop que não devia ficar no ouvido mas fica. "Not Gonna Get Us" pega no som da música dance comércial anónima a estilo 1996 e dá-lhe emoção, dá-lhe um sentido de existência para além da discoteca medíocre. "Malchik Gay" é Folk-Pop electrónico, uma contradição em termos. E depois as vozes das t.A.t.U. por cima disto tudo...estas vozes, estas vozes são Punk! O estilo "bad girl" já tem começado o seu comeback no último ano, mas Pink, Christina Aguilera, etc. não guincham como Yoko Ono, apenas dão a velha e maçadora tradição Mariah Carey/Whitney Houston. As t.A.t.U. dão Yoko Ono, Poly Styrene, Siouxsie! Faltam-me palavras...isto aqui é tão único, tão inesperado...agora sei como as pessoas se devem ter sentido aquando do lançamento do primeiro albúm dos Roxy Music em 1972.

Sobre toda esta inovação paira um drama, um pânico. Isto aqui é um disco adolescente, um disco romântico (romântico tipo "Amor De Perdição", não romântico tipo "Êxitos Românticos, Vol.18".) É óbvio, lá bem no fundo, todos queremos ser lésbicas. Seria tão excitante, não? Eu e a minha namorada, contra o MUNDO! "200 km/h In The Wrong Lane" tira todo o partido que pode desta temática, e o resultado é mais atractivo do que todas as bandas de Nu Metal do universo, porque tem garra. E sempre lá está a estrada, simbolo de escape, simbolo de liberdade, como se as t.A.t.U. fossem discípulas do Bruce Springsteen.

É de certa forma unidimensional, este momento de fuga permanente, este grito de medo e liberdade e extâse que é "200 km/h In The Wrong Lane". E sabe-se lá o que é que virá a seguir- será que algo pode sequer seguir isto? Um grupo tão bizarro como as t.A.t.U. poderá ter uma carreira? Não me parece- se são espertas, irão p'ra reforma cedo; se não são, nem quero pensar- lutas, overdoses, uma caída na obscuridade e no ridículo. Mas isso é depois. Agora é agora; agora é "200 km/h In The Wrong Lane", um disco Pop audacioso e inovador.