Filosofia & Bolachas



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domingo, março 16, 2003
 
"Political Science"
de Randy Newman
(traduzido por Daniel S. Reifferscheid)

Ninguêm gosta de nós
Eu não sei porquê!
Podemos não ser perfeitos
Embora que Deus sabe que o tentamos ser
Mas em todo o lado, até os nossos velhos amigos nos abandonam
Embora lançar a Grande Bomba e ver o que acontece!

Dámos-lhes dinheiro
Mas eles mostram-se gratos?
Não, mostram-se desdenhosos e ódiosos
Não nos respeitam
E por isso vamos surprênder-los
Vamos lançar a Grande Bomba
E eles ficarão pulverizados

A Ásia tem gente a mais, e a Europa é demasiado velha
Na África faz demasiado calor e no Canadá demasiado frio
E a América do Soul roubou-nos o nome
Vamos lançar a Grande Bomba e não vai restar mais ninguêm para nós dar as culpas!

Pouparemos a Austrália
Não quero fazer mal aos coitadinhos dos cangurus
Havemos de construír lá um parque de diversões Americano
Até se pode surfar!

"BOOM" em Londres, "BOOM" em París
Mais espaço para mim e mais espaço para ti
E todas as cidades pelo mundo afora
Serão apenas mais uma parte da América
Oh, será tão pacífico
Vamos libertar-los a todos
Poderás vestir um kimono Japonês, querida
E haverá sapatos Italianos para mim

Assim como assim, eles todos só nós odeiam
Por isso vamos lançar a Grande Bomba
Vamos lançar a Grande Bomba!




sábado, março 15, 2003
 
É delicioso este sentimento de paixão jovem, naquela etapa em que só avistar o objecto da nossa afeição provoca uma explosão de cor e alegria- explosão? Não, implosão, visto que se passa tudo cá dentro- e em que o amor (e uso esta palavra levianamente- sei bem que as paixões adolscentes que tive e que tenho não merecem este título, mas porquê não fingir? E qual é essa obsessão dos mais velhos em dizer aos jovens que eles "não sabem o que é o verdadeiro amor"? É só mais um elitismo, tipo dizer as fãs dos Linkin Park que eles não sabem o que é o verdadeiro Heavy Metal?) ainda tem o brilho do imperfeito, em que os contornos faciais da pessoa amada ainda não estão completamente decorados pelo nosso cérebro, e portanto passámos horas a tentar lembrar-nos de certos detalhes na aparência dessa pessoa que a fazem parecer assim tão completamente incrível. É sempre assim quando me apaixono por uma míuda- a imagem mental dela fica elusiva, aparece e desaparece como quer. Pessoas por quem eu não sinto nada, essas eu posso descrever com o maior detalhe depois de as ver só uma ou duas vezes; creio que com as outras é mais difícil porque o meu cérebro não se acha digno o suficiente para capturar a sua beleza.

Menos delicioso no entanto é nunca passar dessa fase, ou antes, assistir à degeneração desta fase numa poça de sonhos, pseudo-esperanças e cobardia, factores incentivados pelo conjunto de neuroses e complexos que se levou 18 anos a coleccionar e que provocam que 1) se tenha o mau hábito de se apaixonar por míudas completamente fora do seu alcance e 2) se possua níveis tão altos de timidez e estóicismo que se possa passar literalmente anos a fio desejando secretamente alguêm sem nunca o relevar, porque se sabe que apenas se iria levar uma tampa e para além disso destruír o pequeno nível de amizade que se conseguio atingir com essa pessoa; mas eu acho que talvêz levar uma tampa seria mais saudável do que continuar essas admirações cobardes que eu tenho tanto gosto em manter. That's the story of my life.

(Nota #1- Na eventualidade pouco provável de que uma ou mais das raparigas a quem eu dei o URL deste meu blog na escola estejam a ler isto- não se preocupem, não é nenhuma de vocês. É óbvio que vos amo a todas, mas não assim! )

(Nota #2- Certos cantos da bloglogsfera Portugesa exprimem mais ou menos regularmente um desdêm para com blogs que falam da vida pessoal do(a) autor(a), aos quais eu com este post me junto. Dizem estes cantos que chatear os outros com os nossos problemas pessoais é apenas um tipo de masturbação mental. Não nego que em muitos casos tenham razão, mas como cantou uma vez Mick Jagger, it's the singer, not the song. Os problemas dos outros são muitas vezes excelente material de leitura; é só uma questão de tentar tornar as nossas neuroses tanto individualistas- ou seja, as exprimir de um modo original e engraçado- como universais, de modo a que todos possam entender do que se fala sem por isso acharem que o que se fala é trivial; espero ter atingido este objectivo com este post.)





quinta-feira, março 13, 2003
 
(Sim, rapazes e raparigas, é isto o que acontece quando o Daniel é submetido a alguns dos momentos mais extremamente patrióticos da Mensagem no fim de um longo e frustrante dia de aulas; obviamente que não estou a falar a sério no post abaixo. Mas um pouco de provocação nunca fez mal à ninguêm.)


 
Para se poder criticar um país, é preciso antes de mais nada ter nascido nele, pois é falta de boas maneiras falar-se mal de algo de que não se é membro, e só o nascimento numa determinada nação é que condena uma pessoa a ser, para o bem ou para o mal, dessa mesma nação. Sendo assim, a única nação que me compete críticar é a Alemanha, o país onde nasci.

Não sei muito sobre a Alemanha. Sei que o Neitzsche era maluco e que o Hitler tinha um bigode idiota. Portanto, vou quebrar as regras, e deixar cair toda a minha fúria sob algo que não me compete avaliar; ouvi dizer que tambêm isto é uma acção bastante Alemã...

Não há nada de que os Portugueses gostam mais do que culpar a sua própria nacionalidade pelos erros que cometem:

-Ei, bateste no meu carro!
- Desculpa, sou Português.

-Ei, este bife está mal passado!
- Peço muita desculpa ao senhor, mas o que é que quer, estamos num restaurante Português.

-Porquê é que violaste a pobre da rapariga??
- Pobrezinho de mim, sou Português...

É uma alegria. Desculpa-se a incompetência, a maldade, a vaidade, a falta de higiene pessoal, a falta de saber político, filosófico e geral, a preguiça e a profuna, profunda estupidez, tudo por serem "características bastante Portuguesas". Não é culpa deles, coitados, nasceram assim. Ser Português é quase como um defeito genético.

Ah, mas não haja dúvida, os Portugueses tambêm têm orgulho! Do passado, óbviamente. É a tradição, a tradição! "Os bons velhos tempos." Os Portugueses fartam-se de falar da Era Dourada dos descobrimentos, quando Portugal estava no auge da sua glória! Ah, quais feitos nobres foram practicados nessa altura...Quais? Eu digo vos quais: escravidão, imperalismo, pilhagens e barbaridades que, é certo, não chegaram ao nível daquilo que por exemplo os Espanhois fizeram, mas que nem por isso deixam de ser repreensíveis (haha, nem quero falar da célebre rivalidade Espanha/Portugal, que como conflicto é o equivalente de um rapazinho de cinco anos a tentar dar socos nas pernas do seu pai enquanto este lhe dá palmadinhas na cabeça.). Muito gostam os Portugueses de falar das suas mui nobres e gloriosas conquistas, e depois ainda se admiram quando notam os olhares de desdêm que lhes são atirados pelos Angolanos, Brazileiros e Moçambicanos.

Para o bom Português, tudo que é bom está no passado e tudo que é mau encontra-se no presente. E por um racicocinio que ainda não entendi muito bem, ele acha que a única maneira de fazer com que o futuro fique melhor é abraçando o passado e fazendo vênias perante todos os grandes cadáveres da história de Portugal, ao mesmo tempo que alimenta o seu profundo ódio a si próprio, ódio este causado pela certeza de que nunca será tão bom como os seus antepassados. Depois corrige um erro qualquer de gramática que o seu filho fez, e diz "o Português é uma língua traiçoeira", porque adora frases-feitas.

Que se fodam os descobrimentos. Que se foda a batalha de Aljubarrota, o mito de D.Sebastiâo e o 25 de Abril. Que se foda a D.Inês, a geração de '70 e o palerma do D.Afonso Henriques. Que se fodem principalmente as legiões de nomes de reis que os professores estão sempre chocados quando veêm que os alunos não os conheçem- como se servissem de alguma coisa.

Que se foda o Camões, com a sua arrogância nacionalista e o seu hábito de roubar da mitologia Grega por falta de creatividade própria. Que se foda o Almeida Garrett, com os seus pedidos por viagra nas Folhas Caídas e o seu tom pegajoso no Viagens Na Minha Terra. Que se foda o cobarde do Bocage. Que se foda o neurótico do Antero De Quental. Que se foda a arrogância do Eça, as choraminguices do Cesário, e os dramatismos melosos do Camilo. Que se foda o Fernando Pessoa, juntamente com os seus heterónimos todos (o charlatão do Alberto Caeiro, o ladrão do Ricardo Reis, o histérico do Alváro de Campos), que não passam de figuras inventadas pelo medo de Pessoa da sua própria grandeza, recebendo assim todos os elogios pela sua criatividade sem receber nenhuma das acusações de contradição que teria se tivesse tido os tomates para assinar todo estes poemas com o seu próprio nome. Ah, e que se foda a porra da Mensagem, que mostra de forma sublime todas as características mais desagradáveis dos Portugueses. Que se foda o Virgilío Ferreira com a sua suposta superioridade filosófica, porque a única coisa que ele realmente tinha era inferioridade emocional. A Flobela Espanca era bastante sexy e tinha um nome divertido, mas isto não é desculpa suficiente para escrever poemas assim tão horrorosos. Que se foda ela tambêm.

Ah, mas não é só na literatura que os Portugueses amam o passado, é tambêm na música, mesmo que seja moderna. Adora-se os mortos (Amália, Zeca Afonso), e acha-se que têm qualidade os aborrecidos "veteranos" da música nacional, como o Rui Veloso, os GNR e a merda dos Xutos, todos dos quais sabem disso e por isso deleitam-se em lançar discos tão mediocres que qualquer artista novo seria linchado se os tivesse produzido. Sim, sim, os Portugueses amam o tédio e a melancolia- pouco admira que gostem tanto do Trip-Hop e do Metal. Estilos mortos para uma nação morta.

No fim, o problema de Portugal é (supreendentemente, visto que a nossa nação adora rastejar) uma falta de humildade. Querem voltar à épocas que nunca irão regressar, depositam as suas esperanças em lugares demasiadamente altos e depois ficam deprimidos porque nunca irão lá chegar. Portugal precisa de ir nadar (nadar, não tomar banhos de Sol, que servem apenas para fritar os miolos), e depois traçar uns objectivos realistas. Digámos: um governo que só é 40% incompetente e 20% corrupto; uma só série de TV nacional de boa qualidade que não me faça adormecer no sofá (recomendo aos produtores estudarem séries Americanas como Médicos E Estágiarios, Buffy ou South Park; não há vergonha nenhuma em querer imitar os estrangeiros, Eça tambêm o fez), e um ou dois músicos nacionais que prestem mas que não tenham mais de 60 anos nem levem 20 para fazer um disco novo (preferivelmente artistas Pimba- que este estilo ainda não deu nada de bom é uma das grandes vergonhas de Portugal, porque em teoria a combinação de letras cheias de eufemismos sexuais, música simples e o desdêm das classes altas resulta quase sempre em bons estilos musicais- ver a música Rock, Rap, Blues, etc. O único grupo que conseguio fazer qualquer coisa semelhante foram os Mamonas Assasinas, que é claro eram Brazileiros.) Se Portugal apenas tivesse isso, já estaria à frente da maioria dos países da Europa, e eu próprio ia em digressão pelas escolas do país com o Paulo Portas, para cantar o hino nacional num dou à moda dos Simon & Garfunkel.



 
Dois novos artigos publicados no novo site da CultureDose; ambos em Inglês, claro. O primeiro é sobre o bom e velho R&B, o segundo é sobre o novo e excitante R&B.


terça-feira, março 11, 2003
 
Como todos sabemos, quando um amigo tem um rival no que diz respeito ao ganhar a afeição de uma rapariga, é o nosso dever ridicularizar o mais possivel este rival para que o nosso amigo se sinta mais seguro.

Mas o que a maioria das pessoas não admite é que isto é tambêm extremamente divertido.


segunda-feira, março 10, 2003
 
Às vezes a vida é mesmo muito surreal. Estava eu no carro, no meio do meu caminho de volta à casa, quando numas das estações de rádio deparei-me com supostas declarações do ministro dos negócios estrangeiros; basicamente, uma linha de argumentação para justificar o apoio de Portugal aos Estados Unidos no que diz respeito à questão do Iraque, mesmo se (hahaha, "se") Bush decidir ir p'rá frente até sem apoio das Nações Unidas. O que acontece é que a linha de argumentação descrita nessa reportagem é completamente louca; os supostos comentários do ministro giravam todos à volta da idea de que, se Portugal alguma vez fosse ameaçado por um ataque de mísseis, "por exemplo de um daqueles países do norte da África", o único país com capacidades para o proteger seria a América, "não a França ou a Alemanha". Convicto agora de que o nosso ministro dos negócios estrangeiros vive num estranho mundo de ficção cientifica onde Portugal é ameaçado por ataques de hordas Muçulmanas com mísseis que apenas o valente e nobre Captain Bush da Enterprise poderá deter, ligei o telejornal para ver se havia lá qualquer comentário sobre esta maluquice, mas nada. Tambêm a RTP Online e a SIC Notícias Online não têm qualquer artigo sobre estes supostos statements, apenas algumas declarações de Durrão Barroso que, embora que sejam escândalosas e lamentáveis, não se aproximam minimamente do surrealismo dos comentários acima referidos. Simplesmente não sei o que pensar disso; continuarei a investigar para ver se encontro alguma prova da eventual falsidade ou veracidade desta reportagem.

Menos bizarra, mas igualmente idiótica, foi a triste figura que fez hoje o secretário-geral da CGTP Carvalho Da Silva no Telejornal, onde o mostraram num "ensaio" para um protesto contra o pacote laboral com um cartaz com a inscrição de "Paz Sim, Guerra Não". Em primeiro lugar, o CGTP, sendo sindicato, tem a obrigação de se manter fora de quaisquers posições políticas e defender apenas os direitos dos seus membros e dos trabalhadores em geral. Não importa a minha opinião pessoal sobre o assunto, o que vale é que o CGTP ao assumir uma posição perante o conflicto do Iraque efectivamente alienia quaisquers membros que possam eventualmente não partilhar as suas opiniões "oficiais" sobre este conflicto, ou estar até à favor da guerra; estamos mal quando um dos maiores sindicatos acha aceitavel tomar posições políticas deste género. Não morro de amores pelos adeptos da guerra, mas enfim, acho que tambêm eles têm o direito de se inserir num sindicato que defenda os seus direitos sem que este começe a tomar atitudes políticas que vão contra as suas ideologias.

Mas mesmo aceitando a idea de que o CGTP tem direito a assumir este tipo de posições, continua a ser incorrecto representá-lás num protesto que nada têm a ver com o assunto; é tão tolo como protestar contra o pacote laboral num protesto contra a guerra. São dois assuntos distinctos que nada têm a ver um com o outro- até me sinto parvo a dizer coisas tâo elementares, mas vá se lá entender a política Portugesa....