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domingo, março 02, 2003
 
Eu adoro o Eminem. Eu odeio o Eminem. O Eminem é me indiferente.

Eu acredito que o enorme sucesso do Eminem deve-se ao profundo racismo da sociedade Americana, e acredito que o facto de o Eminem se ter tornado uma vedeta maior na Europa do que os Run-D.M.C., o 2PAC e o Puff Daddy juntos mostra que a sociedade Europeia é provavelmente ainda mais racista do que a Americana, por mais que o tente negar. Eu odeio o facto de que a maioria dos fãs do Eminem não só não sabem quem são Eric B & Rakim, Public Enemy, Wu Tang Clan e muitos outros grupos que fizeram mais pela música Hip-Hop do que Eminem alguma vez poderá fazer, como tambêm não querem saber. Eu odeio o facto de o Eminem ter pegado numa forma de arte primariamente Afro-Americana e sem querer a ter transformado em apenas mais um brinquedo para os rapazinhos brancos que estão zangados com a mamã porque ela não lhes dá miminhos suficientes. E tenho a certeza de que o Dr.Dre, que ganhou milhões produzindo o Eminem, bem como os D-12, o 50 Cent e os outros talentos descobertos por ele devem estar preocupadíssimos com isso.

Eu não gosto do modo como o Eminem fala dos homosexuais, e gosto menos ainda da forma como ele fala das mulheres. Eu tenho fortes suspeitas de que o Eminem é ele próprio um homosexual não assumido, o que explicaria ambos essas atitudes.

Eu considero a maioria dos fãs do Eminem idiotas. Eu considero-me fã do Eminem. Eu considero-me idiota. Na minha experiência, ser fã do Eminem está apenas um nível acima do ser-se fã do Nu Metal. Eu odeio o Nu Metal, se bem que não odeio todas as pessoas que ouvem Nu Metal. Posso contar uma história para ilustrar melhor tudo isso: quando eu estava no oitavo ano, um colega pergunto me quem era "o preto que aparece no novo clip dos Limp Bizkit". Eu perguntei se ele estava-se referindo ao Dr.Dre ou ao Snoop "Doggy" Dogg. Ele disse que não sabia, "mas aquele preto não têm estilo nenhum". Isto prova que alguns fãs do Nu Metal vivem num universo em que o palerma do Fred Durst têm mais estilo do que o Dr.Dre ou o Snoop Dogg. Eu acho isto hilariante.

Eu acho que o Eminem é um idiota. Eu acho que o Eminem é de momento a estrela Pop mais interessante à face da terra. Quando penso no Eminem, vêm-me à cabeça aquela frase do Eça, que disse que "Goethe é um mundo inteiro", ou qualquer coisa do género. Para mim, Eminem é um mundo inteiro- e é um mundo que me enjoa tanto como me fascina, talvez por não ser o meu, talvez por estar perigosamente perto de o ser.

Marshall Mathers é apenas o actor principal do filme 8 Mile, e não o seu argumentista, e é por isso que a locura, a ambiguidade, o conflicto inerente aos discos do Eminem está completamente ausente deste filme. 8 Mile é um filme de boa qualidade, com um enredo bem realizado e um elenco extremamente competente.

O próprio Eminem é bastante convincente no papel de Rabbit, um jovem rapper à procura de fama e fortuna- pudera, visto que o filme é quase autobiográfico. No entanto, há algo no olhar de Mathers, nas suas expressões faciais, que nós faz pensar que ele está a esconder algo, que existe alí uma dor mais profunda do que aquilo que o filme nos diz. Visto que esta aura nunca esteve presente nas aparições em público de Mathers na vida real (nessas ele têm sempre aquela cara de quem está prestes a chorar), podemos assumir que Eminem quer que vejámos a sua personagem sob esta luz.

A acção de 8 Mile desenrola-se de uma forma bastante confortável e natural, possuíndo a mistura certa de comédia e drama, introspecção e suspense. De realçar são sem dúvida as cenas de "febre de palco", nos quais o cenário abafador e o olhar intenso da personagem principal combinam para nos dar um sentido de tensão palpável, e ao mesmo tempo dão um vislumbre a um aspecto da música Hip-Hop que a maioria dos rappers (sempre muito macho) nunca mencionam- o nervosismo de entrar no palco. De resto, o filme em geral encontra-se bastante confortável com a cultura Hip-Hop; o modo desajeitado como Brittany Murphy (que faz o papel de Alex, amante de Rabbit) diz "I've heard you're a dope MC" no ínicio do filme é a excepção que comprova a regra.

Como eu já disse antes, Eminem não foi o argumentista de 8 Mile, o que faz com que não tenhámos que nos confrontar com algumas das facetas mais desagradáveis da personalidade de Marshall Mathers. A mãe de Rabbit (cujo papel pertence à Kim Basinger, que o desempenha soberbamente), por exemplo, não é o monstro que Slim Shady acusa a sua verdadeira mãe de ser, mas sim uma mulher forte tentando ultrapassar problemas ainda mais fortes do que ela- a relação mãe/filho acaba de forma feliz. No entanto, a maior supresa é sem dúvida a presença de uma personagem homosexual que não apenas é defendido por Rabbit, mas tambêm desempenha um importante papel no seu triúnfo final.

Estranhamente, o maior problema que 8 Mile apresenta para nós politicamente correctos (eu prefiro o termo "humanamente correctos", but whatever, bitch) é a forma como o filme lida com o conceito de raça, questão que já tem sido muito discutida nos orgãos de comunicação Afro-Americanos. Durante a maior parte da sua duração, o filme consegue ser moderadamente realista e moderadamente optimista. No entanto, há pequenos detalhes (a cena em que o outro branco do "grupo" de Rabbit, Bob, se esconde dentro de casa até os outros se irem embora, e quando Rabbit entra na casa diz "eu apenas não quis que eles se rissem de mim", a decisão final de Rabbit de "continuar sozinho") dão um retrato bastante peculíar das relações raciais em 8 Mile, retrato esse que decerto não teria existido se Eminem tivesse sido o realizador.

No fim, este é um filme bastante recomendável: é inteligente, excitante e cheio de calor humano. Não senti um único segundo de tédio ao ver 8 Mile; mas tambêm nunca senti aquele imenso e transcendental conflicto emocional e intelectual que sinto cada vez que oiço "The Real Slim Shady" ou "Without Me".






 
Há demasiados livros a ler, há demasiados filmes a ver, há demasiados discos a ouvir. Acima de tudo, não há horas suficientes no dia ou dias suficientes na semana para consumir isto tudo.

O meu quarto está a abarrotar de livros que comprei há séculos e que ainda não lí; obras do Eça (que de certeza se lesse adoraria, visto que Os Maias foi um dos poucos livros que lí na escola sem querer matar o autor), biografias do Che, clássicos do Shakespeare e da Virgina Woolf. Com os discos, a situação torna-se ainda mais complicada: um livro só é preciso ler uma vez para entender ao menos a maior parte do seu significado; agora com um disco, é necessário ouvir-lo atentamente pelo menos três vezes só para começar a absorvêr-lo. No caso ideal, ouve-se até se saber de cor cada letra, cada acorde. Graças a deus, não sou tão obcecado por filmes como sou por música e literatura, e quando quero ver um, prefiro o cinema ao consumo em casa (poucos são os filmes que me apetece ver mais do que uma vez.) Mas nos dias que correm, possuír meia dúzia de DVDs já é o suficiente para preêncher horas e horas com os comentários e os extras e as entrevistas e os não sei o quê.

E mesmo assim, não consigo parar: compro, compro, compro, porque afinal de contas seria um escândalo do qual eu nunca me poderia recuperar se alguma vez fosse mencionado um livro "essencial" que eu não tenho na minha prateleira, ou um novo grupo do qual eu não possa mencionar as cinco melhores faixas. Sabem que existem discos na minha colecção que eu comprei em 2001 e ainda não ouvi? Quer dizer, "ouvir" é como quem diz: já os pus a tocar várias vezes como música de fundo enquanto falava com amigos na internet, mas nunca me sentei na minha cadeira e pus os a tocar, nunca saboriei cada nota e cada som. Há sempre qualquer outro novo albúm ou retrospectiva que merece mais a minha atenção.

O que me vale é que ao menos sou utilizador de Macintosh, e portanto não tenho bons programas de file sharing. Há uns dias atrás falei com o meu amigo John, e enquanto falávamos ele estava a tirar sete discos da internet e a copiar-los para CD. Outro amigo com que falei disse me que há pouco tinha tirado da 'net uma data de filmes, incluíndo O Senhor Dos Aneís: As Duas Torres, que ainda nem sequer está disponível em DVD. Isto tudo para mim têm algo de perverso.

Não me entendam mal, não é que eu seja daqueles que acham que a partilha de ficheiros é capaz de arruinar músicos ou estrelas de Hollywood; acho que os albúms lançados em pequenas editoras e que os filmes realizados por pequenos estúdios não deviam estar disponíveis para download na internet, mas sei bem que um gajo qualquer a fazer cópias do novo filme do Spielberg ou do novo disco do Eminem não fará mal significativo a ninguêm. O que me importa mais é que, nessa fúria de consumo (criada pelo capitalismo, mas agora fora do controle do mesmo, visto que as pessoas querem ter tudo mas querem ter tudo grátis), se perdeu um certo respeito pela arte, um certo sentido do valor de um disco ou de um filme. Afinal, quando tudo está disponivel, nada é verdadeiramente interessante. É a velha lenga-lenga da criança com brinquedos a mais: não sabe apreciar o que têm.

Como já disse, eu não participo muito no file sharing, devido ao facto de não existirem bons programas para o mac, e devido tambêm ao facto de que- e eu sei que pareço um escravo do capitalismo quando digo isto, mas vivemos num sistema capitalista, paciência- eu gosto da "embalagem" do disco: da capa, das notas com as letras, de tudo isso. Mas o meu problema é semelhante- tenho tantos discos que já não consigo os apreciar como fazia quando tinha nove anos e passava meses com os meus discos dos Beatles; talvez seja por isso que poucos dos que ouvi nos últimos anos me tenham tocado tanto como Rubber Soul ou Sgt.Pepper's Lonley Hearts Club Band o fizeram.

Ontem, combinei com o John (que, quando lhe falei dos meus pensamentos, disse que partilhava completamente a minha opinião- é rara a ocasião em que isto não é o caso) que por uma semana vamos entrar "em greve"- nada de comprar coisas novas, nada de downloads. Dificilmente será tempo suficiente para prestar a devida atenção a todos os discos que negligenciei nos últimos anos, mas é um começo.


sexta-feira, fevereiro 28, 2003
 
Foi preso o 3-D dos Massive Attack, alegadamente por ter feito o download de imagens pedófilas na internet. Note-se bêm: a única prova que a polícia diz ter disto é um testemunho anónimo. Note-se tambêm: 3-D, juntamente com o Damon Albarn dos Blur e a Ms.Dynamite, foi dos poucos na aréa da música Pop Britânica que levantou a voz contra a guerra no Iraque. Pouco espanta então que já se oiçam entre os esquerdistas e os fãs de Trip-Hop os primeiros murmúrios de que "foi uma conspiração". Visto não estar na posse de factos suficientes para avaliar esta situação, não me junto desde já ao coro destas vozes; no entanto, posso desde já dizer que, se isto for realmente o caso, estou muito preocupado. Não porque isto me faria perder confiança nas autoridades Britânicas (nunca a tive), mas sim porque, se realmente acontecer uma "caças às bruxas" com acusações de pedófilia, eu temo que esta poderia ser até mais eficaz do que a "caça aos comunas" de McCarthy na década dos '50. Afinal, o pedófilo é o último "mau da fita" contra o qual todos nos podemos unir, sejamos liberais ou conversadores, pretos ou brancos, ricos ou pobres.

No entanto, a melhor- talvez a única- forma de nos defendermos no caso de um cenário como este será mudar toda a nossa atitude para com a pedofilia para algo mais sofisticado do que "os pedófilos são todos monstros que deviam ser castrados e depois executados". Como sempre, a verdadeira revolução é uma revolução da mente.

É preciso antes de mais nada realçar que a pedófilia no fundo não passa de um impulso positivo mal direccionado- o impulso sexual, que todos temos. Que este impulso se manifeste de uma forma que é, não hája dúvida, extremamente doentia não quer dizer que todos as pessoas com estas tendências sejam monstros, mas sim que este impulso é resultado de uma série de perturbações mentais extremamente complexa. É so preciso dizer que grande parte dos indivíduos com estas tendências foram na sua própria infância vítimas de abusos sexuais. No fundo, estas pessoas precisam de ajuda.

Não quero com isto dizer que as pessoas que tenham practicado actos pedófilos não devam ser devidamente punidos pela lei; afinal, ter um impulso não é o mesmo que agir sob ele. Mas coloco esta questão: será que uma pessoa que tenha tendências pedófilas mas que nunca fez nada a nenhuma criança fácilmente terá a coragem de assumir que têm um problema e consultará ajuda profissional, nos dias que correm? Acho antes que nunca reveleria o seu segredo, por medo de que fique vítima do processo que a opinião popular julga ser o mais adequado para lidar com este problema- "linchar estes pandeleiros todos". E se há uma coisa que a história nos ensinou, isto é que a repressão sexual nunca é uma resposta adequada para nada; não resolve o problema, apenas transforma as pessoas em bombas-relógio. Há que superar o nojo e o ódio que todos sentimos quando ouvimos falar da pedófilia e começar a pensar nos factores que estão na origem deste fenómeno, eventualmente tentando eliminar-los para o bem de todos.

Espero que o 3-D esteja inocente, tal como espero que o Pete Townshend (o guitarista dos The Who, um dos meus grupos favoritos, que foi acusado do mesmo crime há umas semanas atrás ) esteja inocente. No entanto, não vou fazer como os fãs do Carlos Cruz e me pôr numa avenida com um cartaz a dizer que "acredito" na inocência deles, como se isto fosse uma questão de fé. Pelo contrário, vou rezar para que, no caso de qualquer um deles estar culpado e for condenado como tal, este possúa a força de espírito necessária para admitir que têm um problema, e a sorte e a preseverância para eventualmente o ultrapassar. Mas mesmo que isto aconteça, dúvido que a nossa sociedade, com a sua enorme consciência moral e a sua maior ainda sede de sangue, alguma vez chegue a lhes perdoar.



 
Depois de longas horas a pesquisar em blogs em .pt, descobri que afinal até existe um número razoavel de bons blogs em Português- daí a nova secção que vêem aqui à esquerda (ah, e se alguêm reparou na falta de acentos nessa mesma coluna- o que ocorre é que o Blogger, sendo Americano, simplesmente não tolera "´" nem "~" nem "^" nas suas colunas.)

E agora um conselho para a bloglogsfera Portuguesa:

1) Não hája dúvida, os Massive Attack são um bom grupo. Mas isto não quer dizer que sejam o único grupo á face da terra. Vocês não ouvem mais nada??

2) Tambêm não haja dúvida, o Fernando Pessoa foi um grande poeta. Mas isto não quer dizer que cada blog Português tenha obrigatoriamente de falar na obra dele (incluíndo Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro De Campos, Bolinha O Macaco Vermelho, e quaisquers outros heterônimos que ele possa ter inventado.) Vocês não lêem mais nada???

(Sim, eu sei, eu tambêm já mencionei os Massive Attack, e por pouco que não mencionava o Pessoa, mas isso é diferente- afinal, eu sou mais sexy do que vocês.)


quinta-feira, fevereiro 27, 2003
 
Acabei de fazer um CD que vou enviar Segunda à minha amiga Alison, que vive nos E.U.A. Trata-se de uma compilação que pretende ilustrar as fases mais importantes e os estilos mais marcantes da música Hip-Hop, estilo com o qual ela ainda não se encontra muito familiar. Aqui está a lista das canções:

DROPPIN' SCIENCE: AN INTRODUCTION TO HIP-HOP
1-The Message:Grandmaster Flash & The Furious Five
2-Walk This Way:Run-D.M.C.
3-I Ain't No Joke:Eric B. & Rakim
4-Bring The Noise:Public Enemy
5-Colours:Ice-T
6-Tread Water:De La Soul
7-Jazz Thing:Gang Starr
8-T.R.O.Y. (They Reminisce Over You):Pete Rock & C.L. Smooth
9-O.P.P.:Naughty By Nature
10-Ain't Nuthin' But A G-Thang:Dr.Dre & Snoop "Doggy" Dogg
11-Incarcerated Scarfaces:Raekwon & Ghostface Killah
12-Rosa Parks:Outkast
13-Plastic World:Kool Keith
14-Pass The Courvosier, Pt.2:Busta Rhymes & P.Diddy
15-Witness (One Hope):Roots Manuva
16-Necessary:Boogie Down Productions

Já fiz "apanhados gerais" de dois outros estilos para a Alison (Punk e Country para ser exacto), ambos dos quais lhe agradaram muito; espero que o mesmo seja o caso com este.

Eu adoro fazer as minhas próprias compilações e oferecer-las à amigos; ouvir alguêm dizer que adora uma canção qualquer com a qual eu lhe fiz familiar é um sentimento espectacular. É que, no geral, saber listar todos os singles dos T-Rex não é uma qualidade muito admirada pela sociedade; nós fanáticos pela música entramos em extâse cada vez que que nos podemos sentir minimamente utéis.

No entanto, se querem saber a verdade, ainda não me acostumei bem ao formato CD-R. É certo que, de muita forma, é infinitamente superior às cassetes; ter que estar sempre a rebobinar só para ouvir uma certa música é extremamente irritante. Alías, eu próprio só oiço CDs. Mas existe algo de familiar, de pessoal na cassete que não se encontra na rigidez digital de um CD; o formato possue toda uma mística que os CDs simplesmente não têem. As cassetes tambêm dão um ar de tradição, de tacto..."I'll make you a tape". Até a frase em si vem carregada de um ar cool. É esta mistura de estilo e calor humano de que sinto a falta quando gravo um novo CD.

Enfim, estou-me aqui com lugares comuns e tradicionalismos (logo eu, que sempre crítico o povo Português pela sua obsessão com a tradição!) De certeza que hei de me acostumar aos novos tempos digitais mais cedo ou mais tarde....


quarta-feira, fevereiro 26, 2003
 
Avistei hoje o seguinte graffiti:

"Hélia volta p. favor
Amo-te"

Não que eu seja daqueles que gostam de fazer pouco das vidas românticas dos outros para esconder a falta de qualquer tipo de relações românticas na sua própria vida, mas sinto a necessidade de fazer a seguinte pergunta: se o indivíduo que fez este graffiti realmente tem um amor assim tão grande à essa Hélia, não poderia ter feito o esforço de escrever a palavra "por"?

(Sim, sim, eu na verdade sou daqueles que gostam de fazer pouco das vidas românticas dos outros para esconder a falta de qualquer tipo de relações românticas na sua própria vida; mas isto não muda o facto que abreviações desnecessárias são abreviações idióticas.)