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domingo, fevereiro 16, 2003
 
Hoje ví As Confissões De Schmidt. É um filme estranho, bastante deprimido (e deprimente.) Ainda não sei bem se gostei.

Tal como ocorreu na vez em que ví American Beauty, o público com o qual assisti ao filme obviamente estava á espera de uma comédia em vez do drama que As Confissões De Schmidt realmente é. As pessoas passaram o tempo todo a rir-se nos momentos menos apropriados, seja as númerosas humiliações pelas quais Schmidt passa ou as piadas propositadamente pirosas do casal que ele conhece durante o seu road trip.

(Sim, esta entrada no meu weblog está aqui apenas para que ninguêm se depare com o meu site e veja logo poesia. Como já disse anteriormente, eu não escrevo poesia.)


 
Poesia? Eu não escrevo poesia!
Mas ás vezes gosto de ver como ficam as palavras
Quando se lhes retira a segurança do familiar

Normalmente, a rima, a quadra e o terceto
São meus inimigos mortais
Prefiro a disciplina da prosa
Onde o sentido está acima do tom

Isto aqui não é poesia
Isto aqui não é nada!

Foco a minha atenção sobre estruturas
Quando os meus verdadeiros problemas são medíocres e pessoais
E falar deles só resultaria em má poesia
E eu não escrevo poesia


sábado, fevereiro 15, 2003
 
Álbum: This Year’s Model
Artista: Elvis Costello & The Attractions
Editora: Warner Archives/Rhino
Ano de lançamento: 1978

“Nunca entendi bem as acusações de misoginia que foram levantadas contra as letras de This Year’s Model diz Elvis Costello nas notas da versão relançada (pela editora Rhino, de resto sempre um sinal de qualidade) do seu segundo álbum, qual grande e glorioso pesadelo de sexo e metamorphina: “pode ver-se claramente que essas contêm mais desapontamento do que nojo”.(1) O tánas, Elvis! This Year’s Model está a abarrotar de raiva, nojo e desprezo direccionados a todos que se possam encontrar no seu caminho, e mais especificamente quaisquers potenciais alvos de paixão. Admito que “cada vez que telefono/é só para te pôr em baixo”(2) não é forcosamente uma declaração machista (na minha opinião tende mais para o misantrópico), mas mesmo assim tenho a certeza absoluta de que (considerando o mundo em que nós vivemos) ninguêm que declara “não quero ser o teu amante/só quero ser a tua vítima”(3) tenha que lidar muito com desapontamentos.

Aqueles de vós que já conhecem o clássico álbum de estreia de Costello, My Aim Is True poderão neste álbum assistir a um processo deveras esquisito- o de desmaturização. Em My Aim Is True, os problemas de Elvis consistim em lidar com o seu emprego, velhas namoradas e “a espera pelo fim do mundo”(4)- tudo assuntos que apenas podem dizer algo á quem já passou por muito na vida e sabe como as coisas funcionam. “Miracle Man”, por exemplo, têm menos de jovem furioso do que de marido frustrado, e quando Costello fala da vida adolscente, isto é feito com distância, tal como acontece na narrativa de terceira pessoa em “Less Than Zero” ou na sátira “Mystery Dance”.

Mas This Year’s Model é um disco de adolscentes- melodias de teclado roubadas dos ABBA confraternizam com riffs roubados dos Rolling Stones, e podes bem crer que Elvis can’t get no satisfaction(5). Todas as míudas são sádicas cabeças de vento, e todos os rapazes são chavalos idiotas que só pensam em foder. Nenhum deles sabe como lidar com o sexo oposto, e por isso aplicam o que veem na TV e esperam que resulte- “porquê é que não te portas como um homem/como nos filmes dos crescidos?”(6) No seu desespero, Elvis tenta escapar de toda essa cena e atingir algo maior, algo mais puro- mas falha sempre, não só porque as namoradas dele não mostram interesse nisso, mas mais do que tudo porque no fim de contas ele próprio não passa de um vingativo, sadomasoquistico e mesquinho egoísta. As letras neste disco possuem um nível de irresponsabildade, hedonismo e egoísmo que apenas poderiam surgir numa mente adolscente, e isto é parte do que as faz tão boas- não só porque todos já passámos (ou estamos a passar!) por esta fase, mas tambêm porque assistir Costello (ou talvez apenas a personagem que ele inventou para este álbum) lutar consigo mesmo e tentar chegar a algo melhor é verdadeiramente tocante (e já é muito mais do que o que a maioria dos adolscentes fazem.)

A teoria que pode ser aplicada para explicar tudo isso é que quando Elvis fez My Aim Is True, estava ainda extremamente sob o controle das suas referências Country e Classic Rock (Bob Dylan, The Band, George Jones, John Prine), as quais especializavam principalmente em música adulta. Mas na altura em que This Year’s Model foi gravado, Elvis já não tinha atrás de si o Rock tradicional da sua antiga banda Clover, mas sim a velocidade mais frenética e os ritmos mais maníacos do seu novo grupo, The Attractions. Com a febre da música Punk a dominar a nação, o rapaz finalmente conseguio emancipar-se das suas influências e começou a cantar sobre os seus próprios pensamentos e experiências- visto sob esta luz, My Aim Is True transforma-se num verdadeiro triunfo do tributo, e This Year’s Model representa o cair do artista em si mesmo. Bela teoria, sem dúvida, mas há algumas coisas que não encaixam aqui: afinal, o “adolscente” Elvis já tinha 23 anos quando produzio este albúm, e nas notas afirma que “a maioria destas canções foram obras da minha imaginação, não produtos da minha experiência”(7), o que quer dizer que ele apenas abandonou uma máscara e adoptou outra. Não que isto seja algo de mau- quando o fingimento é feito com tanta paixão e eloquência como é o caso aqui, quem sou eu para me queixar?

Então, o que é que encontramos na vida de um normal adolscente do sexo masculino? Bem, há problemas sentimentais, a omnipresente ordem de marginalização dos diferentes, e- pois claro- montes e montes de masturbação. É um facto bem conhecido entre os fãs do Elvis Costello que a música “Pump It Up” supostamente trata desse tema, mas quanto a isso, eu acho que “The Beat” aborda a temática de um modo muito mais adequado. Afinal de contas, a canção “Pump It Up” contêm as letras “quando nem sequer precisas” (8), e a pura verdade é que (como qualquer rapaz adolscente pode confirmar), sempre é preciso. Para além disso, o ritmo sumptouso e a abundância de hendonismo em “Pump It Up” têm muito mais a ver com o brilhar de uma esfera brilhante numa discoteca do que com o cheiro de esperma a ser libertado num escuro quarto de dormir.

“Pump It Up” foi o primeiro single lançado do álbum This Year’s Model; o segundo foi “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”, canção que representa o apogeu da atitude de ódio para com tudo e todos de Costello. Com precisão e garra, ele pinta retratos de chavalos pensando “em todas as raparigas que ele vai coisar” (9) e miúdas estúpidas que são chamadas Natasha embora tenham aparência de Elsie (10)- deveras, ele não quer ir para Chelsea.É mais uma vez de notar o uso de imagens especificamente adolscentes- “agora que o professor se foi embora/todos os miúdos brincam”(11)

O problema é que ele vai a Chelsea (esta estranha metáfora para o ambiente de namoro juvenil), e dá e leva- apesar de todo o s seus mistérios semânticos, a canção de estreia do disco, “No Action”, é no fim de contas apenas mais uma canção sobre amor perdido (ela é a namorada do seu melhor amigo, mas costumava ser suuuuua- ah, abençoados sejam os Cars. (12) Isto é assunto para outro artigo..), mas o resto das canções em This Year’s Model (excluíndo “Radio Radio” e “Night Rally”, canções de cariz político que antecipam a atmosfera do seu próximo disco, Armed Forces) mostram que o nosso rapaz tem um enorme talento para se envolver com as miúdas erradas- levando directamente a que ele se veja forçado a se queixar sobre “pequenos gatilhos”(13) puxados por linguas e amigas de namoradas que o tratam como um estranho. Não nos esquecámos, no entanto, que embora as namoradas sobre as quais Elvis canta são sem dúvida maléficas, ele tambêm não é nenhum santinho- muito antes, é um desastre paranóico que não pode parar de pensar nas mães das suas namoradas e que, quando é acusado de ter feito algo de mal, apenas responde “se eu vou abaixo, levo-te a ti tambêm!” (14)

Não se pode dúvidar do humor sofisticado de Costello, mas se fossem apenas poemas, muitas das letras de This Year’s Model teriam algo de demasiado choramingoso. Cantadas, no entanto, são um banquete, não só porque Costello já nessa altura era um cantor formidável (não possuindo ainda a subtileza que domina em canções como “Everyday I Write The Book” e “A Good Year For The Roses”, o seu tom aqui é apressado e nervoso, quase Rap), mas tambêm devido ao talento dos Attractions, que na verdade nem sequer teriam precisado de roubar dos ABBA e dos Rolling Stones para fazerem o seu albúm tão bom como ele é. É so falar na linha de baixo e cadência quase progressiva de “Lipstick Vogue”, ou em “Little Triggers”, que começa com um piano Gospel para depois se tornar numa melancólica balada ao estilo da música Soul Sulista dos anos ‘60, estilo que iria marcar muito a música de Costello nos anos seguintes.

A versão Britânica do albúm acaba com “Night Rally”, uma honrada condenação do semi-namoro que a cultura Punk estava a practicar com estéticas fascistas; a versão Americana concluí com o single “Radio Radio”, uma das canções mais bem conhecidas de Costello Essa permanece espectacular, mesmo que a anotação das letras nas notas do booklet tenha destrúido a minha linha favorita da canção. É que anteriormente quando ele cantava “alguns dos meus amigos sentam-se comigo todas as tardes/conversamos, e preocupámo-nos com os tempos futuros/mas o resto do mundo está sobre-carregado de indiferença/e a promessa de se poder deitar cedo”, eu pensava que era “a promessa de poder morrer cedo”. (15) Continuo a pensar que a minha versão é melhor; não admira, afinal sou um génio.

Como eu já tinha dito anteriormente, uma das coisas que faz de This Year’s Model um grande álbum é que durante toda a sua duração podemos ouvir o protagonista pelo menos TENTAR ultrapassar as suas falhas e procurar algo verdadeiro e puro- é isto (para além da música, é claro) que nós faz voltar inúmeras vezes a este disco. Momentos como quando Elvis admite que, embora que aquela tal míuda possa ser uma ameaça á sua sanidade mental, ele não pode fazer nada porque “és tu/não apenas mais uma boca na Vogue de batôn”(16). Ou “Lip Service”, que contêm o que é talvez a mais desajeitada declaração de amor alguma vez posta em disco: “mas todos apenas fazem o usual/todos apenas fazem o usual/tu realmente só estás a fazer o usual?/serviço de lábios é tudo o que alguma vez irás receber de mim/mas se mudares de ideas, podes mandar-me uma carta”(17). Apesar de toda a sua fúria e veneno e egoismo, ele quer fazer as coisas certo. Ele é um dos bons.

1- I never really understood the accusations of misogyny that were leveled at the lyrics on This Year’s Model. They clearly contained more disappointment than disgust.”
2- “Every time I phone you/I just wanna put you down”
3- ”Oh, I don’t wanna be your lover/I just wanna be your victim”
4- “waiting for the end of the world”
5- “I can’t get no satisfaction” (“não consigo ficar satisfeito”) é o refrão daquela que é talvez a canção mais famosa dos Rolling Stones, (“I Can’t Get No) Satisfaction”
6- “why don’t you be a man about it/like they do in the grown up movies?”
7- “most of these songs were works of imagination rather than products of experience”
8- “when you don’t really need it”
9-“all the girls that he’s going to fix”
10-O equivalente Português disto seria uma mulher que insistisse em ser chamada “Nancy” quando o seu verdadeiro nome é Conceição.
11- “now the teacher is away/all the kids begin to play”
12- “she’s my best friend’s girl/but she used to be mine” é o refrão da canção “My Best Friend’s Girl” do grupo New Wave do ínicio dos anos ‘80, The Cars.
13- “little triggers”
14- “if I’m gonna go down/you’re gonna come with me”
15- “some of my friends sit around every evening/and they worry about the times ahead/but everybody else is overwhelmed by indifference/and the promise of an early bed”; confusão de “bed” com “death” por parte do autor.
16- “it’s you/not just another mouth in the lipstick vogue”
17- “but everybody is going through the motions/ everybody is going through the motions/ are you really just going through the motions?/ lip service, is all you'll ever get from me/ but if you change your mind/ you can send a little letter to me.”


 
Estou a ler sobre os protestos anti-guerra enquanto escrevo isto- de certeza que ainda irei partilhar convosco a minha opinião sobre este assunto (principalmente porque de certeza ainda irei partilhar convosco a minha opinião sobre tudo, quer queiram, quer não); de momento tudo que posso dizer é que estou deveras impressionado com o que os meus amigos Britânicos me dizem sobre o protesto em Londres, e que espero que da próxima vez os partidos de esquerda cá nos Açores façam mais esforço para organizar um protesto a sério- nem sequer sei se houve quaisquers manifestações em Ponta Delgada (não tive oportunidade de ver o telejornal), mas eu não sinto responsabilidade de participar se os organizadores nem sequer têm iniciativa suficiente para, bem, organizar- para além disso, um protesto pequeno hoje teria sido uma pena, visto que com apenas um bocadinho de publicidade poderia ter havido um de proporções consideráveis (ainda não conheci ninguêm aqui que é a favor da guerra.)

Mudando de assunto: a seguir estará o primeiro exemplo de algo que eu estou planeando fazer mais ou menos uma vez por mês: uma tradução para Português de um dos meus artigos de música escritos para o site Americano CultureDose. Este aqui é sobre Elvis Costello (para quem não sabe: Elvis Costello foi um dos melhores artistas da revolução Punk Britânica do fim dos anos '70, se bem que a sua música foi sempre demasiado melódica para ser considerada "Punk"; imaginem um Rui Veloso mais furioso e bastante mais Britânico.) foi "encurtado" e feito um bocadinho mais acessivel para os leitores menos "por dentro" destes assuntos; sempre que cito letras ou citações originalmente transmitidas em Inglês, dou-lhes um número e reproduzo o original mais abaixo. Para quem tem interesse: o artigo original localiza-se aqui



 
Afinal, os meus medos não se concretizaram- existe realmente uma tradução de On The Road em Português, chamada Pela Estrada Afora. Muitas palmas para MediaBooks, loja online que me forneceu esta informação. E após terem congratulado a MediaBooks, por favor vaiem um bocadinho serviços como a FNAC Online que, segundo o seu incompetente motor de pesquisa, não só não têm as obras de Jack Kerouac, como tambêm não possuí livros tão obscuros como "Os Maias", "O Amor De Perdição", "Othello" e "As Vinhas Da Ira", bem como discos de artistas menores como os Beatles, Eminem e José Afonso.


sexta-feira, fevereiro 14, 2003
 
Queixa Da Alma Censurada, Vol.1- A bloglogsfera Portuguesa é uma merda. Passei a tarde de ontem procurando blogs Portugueses, e a maioria do que encontrei foram ou aberrações horrendas cor-de-rosa feitas por míudas cujos únicos interesses parecem ser os seus animais de estimação e o seu namorado, nessa ordem; ou então blogs secos e irritantes sobre o ultimo programa de computador que o autor adquirio. A excepção que comprova a regra: If Then Else é um journal de grande qualidade, se bem que escrito na lingua Inglesa (but we all know how to speak English, really, don't we?)

Queixa Da Alma Censurada, Vol.2- Nenhuma das duas livrarias existentes em Ponta Delgada conseguio fornecer-me com um exemplar traduzido em Português da obra-prima de Jack Kerouac, "On The Road". Isto já por si é um escândalo- qualquer livraria de qualidade deve possuir pelo menos um exemplar da obra mais essencial daquele que foi talvez o mais importante escritor Americano da década dos '50, e certamente a grande luz do inteiro movimento beatnik (falando do qual, eu vi a obra Naked Lunch de William S. Buroughs, outro grande autor dessa corrente literária, numa feira do livro há uns meses atrás: tinham posto como sub-título "as alucinações de um drogado", o que é uma falta de respeito imensa para com a obra, se bem que tambêm é a verdade.) Mas o que é pior é que estou começando a ter medo de que realmente nem sequer exista tradução deste livro em Portugal. Espero bem que esteja errado, vou agora mesmo investigar.


quinta-feira, fevereiro 13, 2003
 

Acabei de presenciar o que foi talvez o melhor episódio de Samurai Jack de sempre.

Este utiliza uma das histórias mais vulgares no género do desenho animado (o velho lugar comum da fantasia de entrar no corpo de um ser gigantesco, uma idea que- mesmo sendo bastante bizarra- já está mais que vista; o primeiro desenho animado do meu conhecimento que utilizou esta idea foi a versão Disney do Pinocchio, que data já de 1940, se me lembro correctamente), mas não há nada de vulgar no modo como este enredo é concretizado. Os animadores da série possuem um estilo distincto- colorido, surrealista, simplesmente estranho. ..nos melhores episódios de Samurai Jack, nunca sabemos bem se devemos rir (visto que a série se encontra cheia de humor, tanto na acção como na caracterização dos pictorescos personangens) ou se devemos levar-los á sério, porque além de bizarra a animação é tambêm profundamente imponente, cheia de paisagens impressionantes o suficiente para fazerem parte de um épico perdido de Tolkien, e para além disso toda a atmosfera da série têm algo de muito sério, seja na poupança de diálogo, seja nas incríveis cenas de luta, as quais realmente fazem lembrar clássicos do género samurai. É isto que acontece tambêm aqui- a idea mais ou menos cómica de deixar Jack entrar na boca de um dragão para tirar de lá algo que o pertuba serve como ponto de partida para uma série de cenários espectaculares do interior do corpo desse dragão, cuja variedade de cor e de feitio me deixaram (para usar eu tambêm um lugar comum) de queixo no chão. A melhor idea nisto tudo foi a de encarar o facto de que não faz sentido o organismo de um ser mítico ser apenas uma versão em grande escala do organismo humano; embora que algumas partes da viagem de Jack possam lembrar certos orgãos humanos, a maior parte foi verdadeiramente alígiena. São pequenos toques como esse que podem tornar algo numa obra-prima, pequenas expressões de criatividade que são tão raras na animação de hoje em dia.

Nota para todos aqueles que acham que os jogos de vídeo destroem a imaginação das crianças: muitos dos cenários dos quais falei anteriormente lembraram-me muito certos níveis dos meus velhos jogos de Sonic que costumava jogar na Mega Drive; toda a estética do Samurai Jack tem pontos bastante semelhantes aos clássicos dos vídeo-jogos. Mas provavelmente aqueles que não veem valor algum num jogo de consola tambêm não irão ver muito valor num desenho animado (ou antes, "boneco" ou, como dizem aqui na minha aldeia, "macacinho".) Pois bem, fiquem com o vosso Camões enquanto a gente continua a viver no século XXI.

Ah pois, prometi anteriormente informar-vos tambêm das minhas outras actividades na 'net: sou crítico de música no site Americano CultureDose, onde escrevo sobre o melhor e pior na música Rock, Soul, Funk, Blues, Hip-Hop, Techno, Country e quaisquers outros estilos que me interessem, tanto do passado como do presente. Tudo em Inglês, é claro- por falar nisso, um dos meus projectos para este blog é traduzir alguns dos meus artigos para o Português, para além de deixar aqui tambêm alguns pensamentos menos bem-organizados sobre a música que me fascina de momento, inclúindo a Portuguesa (se bem que tenho que admitir que sou vergonhosamente ignorante no que toca á mesma.)



 
Aqui vamos nós!

O meu nome é Daniel Sylvester Reifferscheid (facto que já me causou muito sofrimento e frustração, como podem imaginar.) Tenho dezoito anos e vivo na ilha de S.Miguel, embora que tenha nascido na Alemanha.

As razões porque inciei este blog são múltiplas: em parte para recuperar as minhas habilidades de escrita Portuguesa (que têm vindo a decrescer rapidamente desde que entrei na internet); em parte para comentar sobre acontecimentos e peças de cultura Portuguesas que não poderiam ser adequadamente dissectadas nas minhas outras actividades literárias (das quais vou falar mais á frente.) Mas principalmente este blog serve como lugar de despejo para os meus "vómitos creativos", um lugar onde possa apenas escrever sobre o que me vem na cabeça sem ter qualquer responsabilidade de ser interssante, creativo ou inteligente. Como tal, não vos censuro se se forem já embora. No entanto, duvido que isto aconteça, visto que eu sou, afinal de contas, procavelmente a pessoa mais fascinante que alguma vez irão encontrar.

E para além disso, sou muito sexy:



Rowr!


 
Olá.